MEC PLANEJA REDUZIR MATÉRIAS NO ENSINO MÉDIO

19 05 2009

Alunos poderão escolher disciplinas de 20% da grade. Reforma deve começar em 2010

(Transcrição: MARIA LUISA BARROS “O DIA”)

Rio – O Ministério da Educação (MEC) planeja mudar o currículo do Ensino Médio das escolas brasileiras a partir do ano que vem. Pela proposta em discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE), as atuais 12 disciplinas serão reduzidas para quatro grupos de conhecimento (Línguas, Matemática, Humanas, e Ciências e Biológicas). Nesta primeira etapa, o novo modelo será proposto só para escolas estaduais. Embora não seja obrigatório, o MEC espera que a rede particular adote nos próximos anos a grade interdisciplinar.

A reforma começará pelas 100 escolas com as menores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na lista não há nenhuma do Rio. As unidades que aderirem ao novo Ensino Médio terão que ampliar a carga horária mínima para 3 mil horas — um aumento de 200 horas a cada ano.

A reforma é a saída encontrada pelo MEC para tentar conter a evasão escolar, preparar melhor os alunos para o Enem que deverá substituir o vestibular nas universidades federais e amenizar o déficit de professores.

GRADE PERSONALIZADA

Outra mudança é oferecer ao aluno a possibilidade de escolher 20% da carga horária e grade curricular, dentro das atividades oferecidas pela escola, que podem ser projetos, oficinas, atividades culturais ou práticas em laboratório. “Os estados que aderirem receberão ajuda técnica e financeira”, diz o coordenador-geral do Ensino Médio do MEC, Carlos Artexes. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas revelou que a falta de motivação é a principal causa de abandono apontada por 40% dos brasileiros de 15 a 17 anos que pararam de estudar.

A novidade dividiu a opinião de estudantes. “A qualidade do ensino pode piorar se ficar muito superficial”, desconfia Patrícia Pimentel, 17, 3º ano do Centro Educacional da Lagoa (CEL). Seu colega Gabriel Magnan, 18, acha a mudança positiva: “É mais fácil aprender assuntos que estão próximos da nossa realidade”. Lucas Martins, 16, do 2º ano do CEL, concorda: “Se o Enem substituir o vestibular, a gente vai estar mais adaptado à prova, que não é dividida por matérias”.

RESISTÊNCIA

A reforma curricular que deverá ser aprovada em junho pelo CNE enfrenta resistência do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe). “É um retrocesso que não vai resolver o problema da educação pública. Só vai tentar esconder a escassez de professores, que, por falta de condições, estão abandonando o magistério”, critica a coordenadora do Sepe Maria Beatriz Lugão. Aluno do Colégio Estadual Amaro Cavalcante, no Largo do Machado, Cristian Félix, 17 anos, gostou da idéia: “A gente aprende muita coisa que nunca vai usar. Seria menos chato se os assuntos estivessem ligados ao dia a dia”.


Ações

Information

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: