O DESABAFO DE UMA PROFESSORA

20 03 2009

Do Extra

 Professora da rede pública do Rio de Janeiro escreve desabafo sobre a situação do ensino na cidade.

 A professora Palmyra Baroni enviou carta ao Extra onde demonstra sua preocupação com o desempenho dos alunos durante o Provão:

 ‘Às vésperas de mais uma avaliação da rede pública de ensino da Prefeitura do Rio de Janeiro, que ocorre no dia 19 de março, encontro-me sobrecarregada de informações e instruções para a aplicação dessa, que parece e, que no fundo, acaba sendo, a prova de fogo para alunos, professores e pensadores da educação de todo o país. Infelizmente, mesmo sem ainda possuir os resultados dessa avaliação, não é difícil prever que este está longe de ser bom e, quiçá, regular. A situação, na verdade, é muito pior do que pensam aqueles que só acompanham as notícias pela mídia escrita ou falada e não a vivem de fato. O desabafo que faço não tem como objetivo investigar teorias, nem mesmo citar especialistas em Educação, ou números que mostrem seu fracasso. Trata-se apenas de uma tentativa de traduzir aquilo que acontece dentro das paredes das escolas municipais do Rio de Janeiro e que não se restringe a seus muros, pois é nessas escolas que são formados os cidadãos do mundo, que são crianças, jovens e adultos que passam pelas escolas, mas que, em sua maioria, não usufruem delas o que elas têm de melhor e ao deixá-las nada aprendem com elas. Onde está o problema? De quem é a culpa? O que fazer agora para recuperar o que ficou para trás? E o tempo que se perdeu? Essas têm sido apenas perguntas de retórica, pois ninguém sabe, ou não quer, ou não pode respondê-las. Como um Titanic, a Educação afundou e, poupadas as devidas proporções, o comandante também sabia que bem a sua frente havia um iceberg e tendo sido avisado, através de protestos daqueles que trabalham nas salas de aula e daqueles que põem seus filhos nas escolas não acreditou, ou fingiu não acreditar que o desastre era inevitável. E foi! Resultado: milhares de cidadãos não sabem ler e escrever, quando já deveriam estar interpretando e produzindo textos fluentemente, resolvendo questões complexas de Matemática, discutindo sobre os avanços da humanidade e refletindo sobre o passado e o futuro do planeta. São estrangeiros dentro de seu próprio país, uma vez que ainda não possuem as ferramentas necessárias que fazem deles homens e mulheres, Brasileiros! De quem é a culpa? De fato, não é necessário achar culpados agora. A situação pede que ações sejam tomadas imediatamente, mas não ações sem fundamento ou com fins “politiqueiros”, o momento pede ações baseadas na feia e dura realidade que temos, e que os envolvidos em Educação, aqueles que estão dentro das salas de aula diariamente, aqueles que sentem na pele a aspereza da situação, que também se entristecem com tudo isso, mas que ainda nutrem esperança de ver a situação melhorar, também sejam ouvidos, pois deles pode partir a solução para este problema.’


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