ABUSO SEXUAL EM CIEP

30 12 2008

MINISTÉRIO PÚBLICO APURA ABUSO SEXUAL EM CIEP

Transcrição: Paula Máiran, JB Online

RIO DE JANEIRO – Dia de prova de recuperação em sala de aula de uma escola estadual em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. No terceiro ano do Ensino Médio, Marcos (nome fictício), de 18 anos, em risco de reprovação em três disciplinas, enfrentava o desafio de dar as respostas certas a questões de Física quando o professor da matéria o chamou à mesa. Este prometeu então que resolveria todos os problemas de nota do adolescente. Em troca, bastaria que ele lhe prestasse favores sexuais. A proposta foi feita a mais dois alunos na ocasião.

O Ministério Público e a Secretaria Estadual de Educação apuram a denúncia, relatada por dois alunos em depoimento formal, de assédio no colégio da Baixada.

Não existem disponíveis estatísticas oficiais, mas o abuso sexual dentro de escolas – embora estas não representem a origem da maioria dos casos e sim as próprias famílias das vítimas – não deve ser tratado como problema apenas pontual, segundo a ONG Plan International, que planeja lançar em 2009 uma campanha mundial contra bulling, maus tratos e abuso sexual no ambiente escolar.

– É bem silencioso esse problema. Há uma cultura que leva as vítimas a não denunciar. O problema não costuma vir à tona, não chega a ser denunciado. A denúncia feita por esses jovens é muito importante pois quebra uma barreira social – avalia Charles Martins, assessor de Educação da Plan International no Brasil – As conseqüências desses problemas são desestruturantes e podem levar até à morte.

Embora não haja estatísticas disponíveis, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Educação, os efeitos do abuso sexual podem variar de um comportamento introspectivo ao baixo rendimento no aprendizado. E este seria um dos fatores determinantes até mesmo da evasão escolar.

Em Caxias, o adolescente Marcos resolveu denunciar as propostas do professor à diretora da escola incentivado por um colega que tomou a iniciativa primeiro.

– O papel do diretor em casos como esse é fundamental, para uma ação em parceria com a família das vítimas – observou Martins, que anuncia a intenção da Plan International de realizar uma pesquisa no Brasil para tentar mapear a dimensão do problema no país.

Além do relato de assédio explícito, os jovens revelaram ter se tornado objeto de “piadas constrangedoras” em sala de aula, diante de toda a turma, com o anúncio de que só passariam de ano se saíssem com o professor. Este também se comprometia a conseguir a aprovação de Marcos em Português, disciplina ministrada por outro professor. Segundo Marcos, o professor de Física contou que outro aluno, em ano letivo anterior, teria sido aprovado em troca de favores sexuais. O estudante denunciou ainda que, após as propostas do professor Física passou a ser vítima também de humilhação no Orkut, com a criação de uma página falsa com a sua imagem, o que o levou a encerrar a sua conta verdadeira na comunidade virtual de relacionamentos na internet.

Falhas na prevenção

A coordenadora de Educação em Saúde, da Secretaria Estadual de Educação, Maria Cecília Fernandes, admite que ainda deixa a desejar a abordagem preventiva do abuso sexual nas escolas, mas que a prevenção ocorre de algum modo, durante as aulas, quando os alunos recebem, segundo ela, informações para torná-los mais aptos a identificar e a se proteger de um possível agressor.

– A rede vem tentando preparar melhor o profissional de educação para essa ação preventiva – esclarece Maria Cecília.

 


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