MUNICÍPIO: ALUNO DEVE PROVAR QUE SABE LER E ESCREVER

1 12 2008

ESTUDANTES DA REDE MUNICIPAL DO RIO VÃO FAZER PROVÃO PARA MOSTRAR QUE SABEM MESMO LER E ESCREVER

Transcrição: Letícia Vieira – Extra

 

RIO – A futura secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, assumirá a maior rede educacional do país, com mais de 800 mil estudantes, tendo que vencer um desafio: modificar um sistema de ensino, conhecido como aprovação automática, e recuperar a aprendizagem dos alunos. Para ela, a solução passa por uma revisão, que deve ser feita logo após as férias, acompanhada de uma prova que identifique quem está com dificuldade no aprendizado. Outra saída deve passar pelo reforço e pela capacitação de professores, que além das dificuldades em ensinar, enfrentam, assim como seus alunos, a violência.

Como identificar o aluno que está em recuperação?

Quero, terminadas as férias escolares, colocar todo mundo, a partir do 1º ano, fazendo um tipo de revisão. Agora, no início do ano, seria ideal, mas duvido que consiga. Se não der, farei no meio do ano. Será uma revisão de um mês, 45 dias, a mesma para todas as escolas. Depois será aplicada uma prova, de todas as disciplinas, apenas para detectar quem está aprendendo. Essa prova vai identificar quem não tem condições de acompanhar as aulas, para evitar que chegue ao fim do ano despreparado. Vão sobrar duas escolhas: ou o aluno repete ou passo para frente o problema. Com isso identificado, vamos fazer um trabalho mais individualizado.

Você não pode ser criticada por querer fazer duas avaliações muito próximas, uma no fim do ano e outra no início?

Vou dizer para quem criticar que existem meninos de 10 anos que estão na 4ª série (5º ano) e não sabem ler. O que vai acontecer é que vamos identificar os problemas com mais competência. Essa revisão nunca é jogada fora. Para o bom aluno, vai servir para organizar melhor as idéias. E o professor terá a tranqüilidade de saber que, naquela classe, vai poder desenvolver com segurança os conteúdos. Vou dar uma apostila para o professor. A idéia é consertar as falhas do sistema e, em segundo lugar, reforçar a aprendizagem dos alunos.

Será feito ainda em 2009?

Quero discutir isso com os professores. A vida inteira trabalhei com o setor público e mesmo chocolate empurrado goela abaixo não é gostoso. Queria conversar antes com os diretores, queria conhecê-los para depois implementar o reforço no ano que vem.

O aluno poderá ficar no mesmo ano?

Pode. O ciclo de alfabetização tem três anos de duração e os alunos têm entre 6 e 8 anos de idade. Aos 7 anos, se não está conseguindo aprender, ele terá atividades relativas ao ano em que está, mas pode ser retirado para aprender assuntos que ficaram pendentes. Mas isso tem que ser feito desde o começo.

Será possível reprovar?

Lógico que vamos reprovar. Mesmo em países que têm modelos exemplares, existe reprovação. Uma alternativa para o menino que não aprende é a classe de aceleração. Estou pensando no jovem de 14 anos, que tem o risco de abandonar a escola.

Como vai ser feito o reforço do 6º ao 9º ano?

Queria, no começo, priorizar o aluno do primeiro ciclo de alfabetização, porque se eu não passar para frente o aluno de 1º ao 5º ano, já resolvi parte do problema do professor do 6º ao 9º ano. Mas isso não quer dizer que não vou começar, no ano que vem, o reforço do 6º ao 9º ano. Vou ver os recursos disponíveis para não ser irresponsável e dizer que vai haver reforço para todos os anos.

É feito em outros países?

Não só em outras países, mas em vários estados do Brasil. O estado de São Paulo, por exemplo, faz. Pernambuco e Minas Gerais estão fazendo também esse tipo de reforço. Uma cidade como o Rio deveria ter o Ideb (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) parecido com o de países desenvolvidos. Tanto que vocês têm escolas com média seis (de país desenvolvido).

Será possível alcançar a média mais alta na sua gestão?

Falar isso hoje seria um sonho. Acho que não é viável chegar por uma série de circunstâncias, que passam pela questão da violência, por pais letrados em determinadas regiões. Mas dá para aproximar bastante esse resultado.

Escolas em áreas violentas terão bônus?

Seria um adicional de localidade, que existe em várias áreas do setor público. É um risco, porque a área se degrada fácil. Há discussão sobre qual região que merece e qual não merece, mas se justifica nos locais em que você não consegue atrair um profissional, porque ele sabe que sua vida está em risco, que ele pode ser agredido e, de fato, configura uma situação de trabalho mais desafiadora. Quero colocar a Yvonne (Bezerra de Melo, do projeto Uerê) para me ajudar com essas escolas. Ela vai me apoiar na formação de um grupo – vai ter um time alocado para esse tipo de situação e outro para a questão educacional.

Como capacitar o professor?

Tenho a idéia de criar a “Universidade virtual do professor carioca”, usando a MultiRio (que será presidida pela educadora Cleide Ramos, fundadora da empresa), como uma produtora de conteúdos tanto para a televisão quanto para a internet. Podemos usar isso a favor de um grande processo de capacitação de professores. Utilizar professores mais experientes, o professor tutor, que treina outros professores para assistirem às suas aulas.

E as universidades, como participarão do processo?

Podemos trazer alunos no último ano de pedagogia e, com um professor que vai orientá-lo, vamos criar um estágio interessante. É necessário criar concursos todo ano. Vamos atrair esses alunos com bolsa.

A senhora vai informatizar a matrícula?

Quero tornar o sistema informatizado. Não se pode expor o trabalhador a uma noite mal dormida, a riscos, os pais dessas crianças não podem perder um dia de trabalho. O agendamento poderá ser feito pelo computador, será possível marcar um horário, fazer ordem de chegada. Hoje, existem lan houses, telecentros. Conheço bem a Tereza Porto e vou estudar o que ela fez (na rede estadual).

O currículo do município vai ser revisado?

Nós temos um currículo municipal que foi atualizado em 2001. Como o mundo teve algumas mudanças depois disso, ele precisa ser novamente atualizado. Não só devido à mudança da ortografia, mas, com certeza, houve temas novos de história, por exemplo. A escola precisa preparar seres humanos independentes.

E o uso de salas para o pré-vestibular comunitário?

A escola tem que ser aberta à comunidade. Podemos ter parcerias com ONGs e com o governo do estado, mas desde que não haja prejuízo do foco educativo.

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