ESCOLA PÚBLICA EM ÁREA DE RISCO VIRA ENTREPOSTO DO TRÁFICO

21 11 2008

Aluizio Freire Do G1, no Rio

Trabalho do sindicato dos professores alertou para aumento de violência.
Professora conta rotina de convivência com traficantes, armas e drogas.

As escolas públicas situadas em áreas de risco estão sendo transformadas em entrepostos do tráfico. O alerta foi feito há dois anos por uma profissional de educação e repetido na quarta-feira (19), um dia depois de a polícia encontrar um arsenal de armas e drogas num Centro Integrado de Educação Pública (Ciep), no Morro São João, no Engenho Novo, subúrbio do Rio, quando também uma equipe de manutenção da Secretaria estadual de Educação foi impedida de entrar na unidade.  “Essa violência está sendo potencializada pelo abandono do poder público. O próprio desenvolvimento da atividade docente está comprometido. Muitos profissionais estão abandonando a rede com doenças como síndrome do pânico, depressão ou fobia. Essas unidades viraram depósitos de alunos. A tragédia continua rondando essas escolas”, afirma a coordenadora-geral do Sindicato estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe), Vera Nepomuceno. Segundo ela, o episódio de terça-feira (18) no Ciep do Engenho Novo é mais uma constatação dos dados de um dossiê elaborado em 2006 e que já apontava a ameaça a 200 escolas municipais e estaduais, relatando situações em que alunos, professores e outros funcionários estariam convivendo com assaltos, tráfico de drogas e até homicídios. Pelo menos a metade dessas unidades identificadas em área de risco está localizada na cidade do Rio. O sindicato acredita que cerca de 70 mil crianças estão vulneráveis ou expostas a uma rotina de terror. A lição no dia-a-dia é reforçada com a presença constante de fuzis, metralhadoras, granadas e traficantes circulando com cargas de drogas, anunciando o preço da mercadoria. O medo aumenta quando a polícia entra na comunidade e os criminosos decidem invadir a escola.’Já presenciamos cenas horríveis’, diz professora. “Por várias vezes professores foram feitos reféns. O problema não é só no entorno, mas no interior da escola também. Nós já presenciamos cenas horríveis, como a de alunos armados dentro da sala de aula, grupos agredindo professores e gente vítima de bala perdida. Não temos nenhuma segurança”, desabafa a professora Andréia Cassa, 42 anos, 14 destes lecionando em escolas públicas, sete em zonas conflagradas pelo tráfico como os conjuntos de favelas do Alemão, Maré e Vila Cruzeiro. 

O documento produzido pelo sindicato foi encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE) que pediu reforço na ronda escolar. A Secretaria estadual de Educação atribuiu a responsabilidade à Secretaria estadual de Segurança Pública. A assessoria do órgão devolveu o compromisso para a Polícia Militar. O setor de Relações Públicas da PM repondeu ao G1 com a seguinte nota: “Os batalhões da PM mantêm um serviço de ‘Patrulhamento Escola’, de acordo com as demandas, visando a segurança dos estabelecimentos de ensino de suas áreas. Os policiais militares escalados nesse serviço buscam interagir com diretores, professores e alunos na tentativa de oferecer um melhor atendimento e colher informações que possam ajudar o setor de inteligência e planejamento da corporação. Cabe ressaltar ainda que o diálogo entre as secretarias contribuirá para a segurança de todos.” A assessoria de imprensa da Secretaria municipal de Educação pediu que as questões levantadas para a reportagem fossem solicitadas por e-mail. No entanto, não respondeu até a publicação da matéria.

 

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