‘Vagabundos’ e ‘safados’ – Governador xinga 5 médicos que faltaram a plantão.

23 09 2008

Governador xinga os 5 médicos que faltaram a plantão no fim de semana e anuncia demissões
Rio – Ao se referir ontem aos médicos que faltaram ao plantão de fim de semana no Hospital Getulio Vargas, na Penha, o governador Sérgio Cabral usou os adjetivos “vagabundos” e “safados”. Cinco dos seis médicos faltosos foram demitidos. Um deles escapou porque apresentou justificativa para a ausência. Em agosto, 12 médicos faltaram a plantões no Rocha Faria (Campo Grande) e no Pedro II (Santa Cruz), deixando a população sem assistência. Na época, a Secretaria de Saúde anunciou a demissão de seis, que não justificaram a ausência. “Infelizmente existem médicos que não têm compromisso com a população. Só pode ser vagabundo o médico que não vai trabalhar e não atende a população. Aquele sistema de cooperativa me irrita porque muitos não têm compromisso. Eu quero ver o Conselho Regional de Medicina denunciando esses safados que não vão trabalhar na emergência. Só pode ser boicote, mas não a mim, e sim às pessoas que estão precisando de atendimento”, disse o governador, durante inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Ilha do Governador. Ontem, o Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) afirmou que enviará hoje ofícios para requisitar a relação dos plantonistas que não compareceram ao trabalho.
“Todos serão ouvidos. Se chegarmos à conclusão que o diretor do hospital (Marcelo Soares) e o secretário (estadual de Saúde, Sérgio Côrtes) são responsáveis, eles também poderão ser punidos”, disse Pablo Vasquez, diretor do Cremerj, acrescentando que se a entidade concluir que o Cabral tem responsabilidade, acionará o Ministério Público.
MORTE INVESTIGADA – Segundo Vasquez, na semana passada o Cremerj recebeu denúncia de que paciente com traumatismo craniano morreu no Getulio Vargas sem atendimento cirúrgico. “O hospital é referência para neurocirurgia, mas não tem neurocirurgião e anestesista em todos os plantões. Pedi o prontuário do paciente porque não sabemos se ele não tinha condição de ser operado ou se faltaram condições de atendimento. Estou mais preocupado com essa situação criminosa do hospital que com o vocabulário do governador.” O secretário Sérgio Côrtes garantiu que faltosos que não apresentaram justificativa serão demitidos. “Não podemos mais lidar com a saúde da população dessa maneira. Sabemos de todas as dificuldades que os profissionais vêm passando. Investimos mais de 108 milhões em equipamentos. Não vamos permitir que a população seja atendida por maus profissionais. É até bom que vão embora”, disse, acrescentando que a UPA da Penha será inaugurada em outubro. A Secretaria afirmou ontem que entrou em contato com a cooperativa para que sejam relacionados novos profissionais para suprir a demanda da clínica geral da unidade. Hoje o Cremerj se reúne.
CABRAL CLASSIFICOU FALTAS COMO ‘COVARDIA’ – Muito antes de chamar os médicos faltosos de “vagabundos” e “safados”, o governador Sérgio Cabral já havia classificado como “covardia” a ausência de plantonistas em hospitais estaduais da Zona Oeste nos dias 9 e 10 de agosto. “O povo do Rio não merece que alguns médicos que não queiram cumprir horário prejudiquem a população. Estamos comprando equipamentos e fazendo UPAs 24h. Não é possível que médicos não queiram marcar presença e façam esse tipo de covardia com a população”, afirmou Cabral, na ocasião. Naquele fim de semana, pacientes como Ana Maria Silva ficaram sem atendimento. “No Rocha Faria, a gente só conta com a ajuda de Deus. Médico, não tem”, reclamou Sebastião Silva, na época.
Bombeiros no lugar de cooperativados – As mortes de duas pessoas, domingo, na UPA de Cabuçu, Nova Iguaçu, estão sendo investigadas pela Superintendência de Vigilância Epidemiológica, segundo Côrtes. De acordo com o superintendente de Serviço de Urgência e Emergência da secretaria, coronel Fernando Suarez, todos os envolvidos serão ouvidos até sexta-feira. “A equipe médica é cooperativada e será substituída, a partir do dia 5, por oficiais do Corpo de Bombeiros aprovados no último concurso”, disse. A mudança não será só na UPA de Cabuçu. Cabral garantiu ontem que, a partir de outubro, médicos e enfermeiros do Corpo de Bombeiros concursados começarão a trabalhar no sistema do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e nos postos 24 horas. Segundo ele, isso fará o atendimento melhorar. “Estamos mudando o sistema ultrapassado. Com a entrada de médicos e enfermeiros militares, vamos acabar com os cooperativados. Vamos denunciar às corporações os profissionais que queiram se omitir de servir à população”, disse, acrescentando que, no início do governo, instalou ponto eletrônico no estado e que no Rocha Faria o equipamento foi quebrado. Os corpos de Ághata Quirino Pinheiro, 7 meses, e Ari Monteiro, 73 anos, foram sepultados ontem. O pai da bebê, o ajudante de pedreiro Cesar Teixeira Pinheiro, 37, disse que vai entrar na Justiça contra o Estado e acusa os médicos de despreparo. “Busquei a vida, não a morte. Estou tentado ser o mais forte possível para amparar minha esposa e os outros filhos.” O estado apura se a morte está relacionada a uma doença infecto-contagioso, como meningite, medicação ou negligência.

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