O ESTADO PERDE 16 PROFESSORES POR DIA.

26 08 2008

Saída de mestres na mira da rede estadual

Perda de 16 professores por dia nas escolas leva governo a programar concurso para este ano e zerar carência em 2009

Maria Luisa Barros do jornal “O DIA”

Rio – O governo do estado vai abrir concurso para o magistério este ano. A seleção será para cadastro de reserva de professores Doc 1 (6º ao 9º ano e Ensino Médio). A medida é uma das ações para enfrentar a saída de professores e atingir a meta de carência zero em 2009. Este ano, foram feitas 10.678 convocações, mas o desafio é grande. As escolas estaduais do Rio de Janeiro perdem, em média, 16 professores por dia.

O êxodo de profissionais do ensino não é recente, mas confirma uma tendência que vem piorando nos últimos anos. Levantamento do Sindicato dos Professores Públicos Estaduais (Uppes) revela que 3.537 mestres abandonaram as salas de aula de janeiro a 31 de julho. Mês passado, os alunos ficaram sem 772 professores.

A debandada é tão flagrante que num único dia — 23 de julho — foram publicadas no Diário Oficial do Estado 50 exonerações a pedido — ou seja, de profissionais que solicitaram deixar o cargo. Uma delas foi concedida ao professor de Educação Física Lizandro Ramos Feitosa, 35 anos. Há três anos, ele dava aulas no Ciep 340 Professora Laís Martins, no bairro Figueira, em Duque de Caxias. As viagens do Centro do Rio, onde mora, até o município da Baixada pesaram no orçamento. “O que gastava de gasolina não compensava o salário de R$ 609. Preferi ganhar menos e ter mais tempo para estudar para o mestrado”, conta ele, que planeja lecionar numa faculdade.

Para suprir o deficit, 12.469 professores da rede fazem hora-extra, as GLPs. A quantidade de docentes que abriu mão da matrícula no estado até julho quase ultrapassou a evasão registrada em todo o ano de 2007, quando houve 3.857 afastamentos.

A principal causa dos desligamentos nas escolas estaduais são as aposentadorias. Este ano 2.111 professores se aposentaram, como o professor de Português Leci Batista da Costa, 69 anos. “Só parei tão tarde por amor à profissão, mas quero continuar ajudando”, diz Leci, que dá aulas de Redação, como voluntário, na Escola Estadual Irã, em Vista Alegre.

O segundo maior motivo são as readaptações. Ao todo, 1.070 professores foram remanejados para outras funções por motivos de saúde. Problemas na voz e articulação são, atrás dos males psiquiátricos, as grandes causas de licença médica. Em terceiro lugar estão as exonerações. Foram 274 até julho. Por último, houve 82 demissões.

MUDANÇA NA FORMAÇÃO

A solução para o êxodo de profissionais passa pela valorização da carreira e melhores condições de trabalho, na opinião do presidente da Fundação Escola de Serviço Público (Fesp), Cláudio Mendonça. Ele também critica a formação dos futuros mestres: “As faculdades não formam professores de Matemática, Física e Química, mas químicos, físicos e matemáticos. A tendência é que sejam absorvidos pelo mercado”.

Os concursos públicos precisariam ser modificados, segundo ele. “Hoje o recém-formado tem mais facilidade de ser aprovado nas questões que enfatizam a memorização. Se a avaliação fosse por competências e habilidades, o professor mais experiente teria mais chances”, conclui.

Para a presidente da União dos Professores Públicos no Estado, Teresinha Machado, a falta de isonomia salarial e de perspectivas estão entre os motivos de tantos afastamentos.

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