RIO, 3º PIOR NO ENSINO SUPERIOR

8 08 2008

Transcrito do “O DIA”

Maria Luisa Barros

Só Alagoas e Distrito Federal concentram mais cursos com notas mínimas no exame do MEC

Rio – O Estado do Rio teve a terceira pior avaliação no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) em todo o País. O Rio ficou atrás somente de Alagoas e do Distrito Federal, entre os estados com o maior número de instituições com notas 1 e 2 no Conceito Enade. O resultado nas áreas de saúde, agrárias e serviço social leva em consideração apenas o desempenho do provão aplicado, em novembro, a 190 mil estudantes. Dos 240 cursos de Ensino Superior avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) no Rio de Janeiro, 76 (31,7%) obtiveram notas 1 e 2 em uma escala de 1 a 5. No ranking nacional das instituições com as melhores faculdades e universidades, a posição do Rio cai 11 posições. O estado ocupa o 14º lugar na lista com maior percentual de cursos com notas máximas. Do total, só 39 cursos (16,3%) obtiveram conceitos 4 e 5, desempenho inferior ao Acre, Ceará, Piauí e Amazonas.
São Paulo ficou em 18º lugar. O Rio Grande do Sul é o estado com mais cursos com as notas máximas. O exame avaliou faculdades das áreas de Agronomia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Serviço Social, Tecnologia de Radiologia, Tecnologia em Agroindústria, Terapia Ocupacional e Zootecnia.
Cursos com conceito preliminar 1 e 2 foram reprovados pelo MEC. Os que tiraram 3 atenderam os requisitos para funcionamento. Já os que levaram nota máxima (4 e 5) são considerados referência nacional, como é o caso da UFRJ, Uerj e Uenf. O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que, com base nos novos indicadores, a fiscalização dos cursos será mais rígida. O próximo passo será enviar comissão de especialistas às instituições com pior resultado. As vistorias técnicas devem começar em um mês, segundo o ministério. Elas vão verificar se as condições das escolas diferem da mostrada pelos indicadores. Caso o conceito continue baixo, será aberto processo para analisar fechamento do curso.

Nas públicas, maioria pagou Ensino Médio

Pela primeira vez, participantes do Enade avaliaram as condições das instituições e a qualificação de seus mestres. De acordo com questionário socioeconômico, a maioria dos estudantes das universidades e faculdades particulares precisa trabalhar para ajudar no sustento da família. Já nas públicas, a maior parte tem o suporte dos pais para estudar. Outro dado que chama a atenção é a escolha do material pedagógico usado em sala de aula. Enquanto nas públicas os professores utilizam livros e manuais, nas instituições privadas é mais comum o uso de apostilas e resumos. Também é grande o número de alunos nas universidades públicas que faz uso da Internet nos trabalhos e pesquisas. Entre os das particulares, a principal fonte de consulta são as bibliotecas da própria instituição. Confirmando uma tendência, o estudo revela que, embora as públicas tenham só 22% dos universitários, 43% deles fizeram todo o Ensino Médio em colégios particulares. As instituições privadas de ensino superior recebem 78% dos jovens — 48% de escolas públicas.

CINCO CURSOS DE MEDICINA NA MIRA DO MEC

Um em cada quatro médicos no Estado do Rio se forma todos os anos em instituições que não têm condições de funcionar com qualidade. Dos 14 cursos de Medicina em faculdades fluminenses, cinco tiraram 1 e 2, no novo conceito criado pelo MEC (Conceito Preliminar de Curso). São os da Universidade Gama Filho; da Universidade Iguaçu (Itaperuna e Nova Iguaçu); Universidade Severino Sombra, em Vassouras; Centro Universitário de Serra dos Órgãos, e Centro Universitário de Volta Redonda. Todos eles estão na mira do Ministério da Educação. Em todo o País, 27 dos 153 cursos de Medicina foram reprovados. Apenas quatro obtiveram a nota 5, entre eles o da UFRJ.
O superconceito, como vem sendo chamado, avalia o desempenho dos alunos no Enade, titulação dos professores e instalações das faculdades, como bibliotecas e laboratórios. A Gama Filho informou que vai intensificar o ensino da disciplina Saúde Coletiva em todos os cursos de Saúde. O novo conteúdo programático terá mais atividades relacionadas à assistência à comunidade e à promoção em saúde.

 

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