UNIFORME GRÁTIS NO ESTADO DEPOIS DE 10 ANOS

7 08 2008

Transcrito do jornal “O DIA”

Maria Luisa Barros

Estado começa a distribuir 2,5 milhões de camisetas no mês que vem. Novo modelo causou polêmica entre alunos

Rio – Estudantes da rede estadual vão voltar a receber camisas de uniforme da Secretaria de Educação. A última remessa havia sido distribuída há 10 anos. Desde então, a iniciativa ficava por conta de cada escola. Na maioria delas, alunos tinham que comprar pelo menos uma camisa, que custa, em média, R$ 10. O novo modelo foi apresentado ontem pelo governador Sérgio Cabral e pela secretária estadual de Educação, Tereza Porto, durante evento de inauguração da reforma do Liceu Nilo Peçanha, em Niterói. Foram confeccionados 2,5 milhões de unidades para atender aproximadamente 1,3 milhão de alunos. Cada um receberá duas camisas. A previsão da Secretaria de Educação é entregar o novo uniforme na primeira semana de setembro para todas as escolas da rede. Um segundo lote será distribuído só no próximo ano letivo. As camisetas são de malha cinza, com detalhes em azul-marinho na gola e nas mangas. O novo modelo foi concebido pelo Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil do Senai (Cetiqt). De acordo com a secretaria, o uniforme segue padrões de qualidade, durabilidade, facilidade de lavagem e sintonia com o clima do Rio de Janeiro. “O uniforme gera auto-estima nos alunos assim como a recuperação das escolas”, disse Cabral. A combinação de cinza e azul-marinho, no entanto, não agradou aos estudantes. Até os próprios garotos-propaganda que vestiram a camisa apresentada no Liceu não aprovaram o modelito. “Prefiro a branca, porque era mais discreta. Vamos ter que nos acostumar”, lamentou Amanda Carvalho Ferreira, 16 anos, aluna do 1º ano do Ensino Médio. O colega Diego Beserra de Abreu, 17 anos, do mesmo período, também estranhou as novas cores. “Não gostei do cinza. Se fosse azul e branca, ficaria mais bonita”, disse. Alunos do Liceu se queixam de não terem sido consultados. Para eles, é o terceiro modelo este ano. “Em fevereiro tivemos que comprar uma camisa. Depois a escola deu outro modelo e tivemos que comprar mais uma, para poder lavar. Agora vamos mudar de novo?”, contou Jaqueline Carvalho, 15 anos.

Sem roupa padrão, não entra

Sem dinheiro para comprar várias camisetas do uniforme, alunos como os do Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, acabam usando o modelo específico para as aulas de Educação Física enquanto o normal é lavado. Foi o acordo com a direção para que ninguém entrasse em sala sem uniforme. A cada ano, os alunos compram apenas uma peça de cada modelo. “Normalmente, meus colegas compram um de cada uniforme. Nem estávamos sabendo que ia mudar nossa blusa. Se for laranja, igual à do município, eu saio da escola”, brinca Jéssica Carvalho Rodrigues, 16 anos, aluna do 1º ano do Ensino Médio. Aluna da mesma turma de Jéssica, Raquel Alves Barroso, 17 anos, conta como faz para não ficar sem uniforme e poder assistir às aulas: “Eu comprei apenas uma blusa. Tenho que lavar correndo para dar tempo de secar. Se não seca, uso a de Educação Física”, dá a dica. Tatiane Nunes de Almeida, 15 anos, aluna do 1º ano do Ensino Médio, explica por que os estudantes costumam adquirir só uma camiseta. “É muito caro, posso comprar outras coisas com esses R$ 10”.

GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL É VAIADO EM REINAUGURAÇÃO DE ESCOLA

Um dos mais tradicionais colégios do Estado do Rio, o Liceu Nilo Peçanha, em Niterói, foi reinaugurado ontem debaixo de vaias de alunos e professores. O prédio anexo passou por obras na sua estrutura física, complementando a recuperação do prédio principal em 2007. Durante o Carnaval do ano passado, parte do teto desabou. As turmas foram transferidas para salas cedidas numa universidade. O colégio de 162 anos, tombado pelo patrimônio cultural, ganhou mais uma quadra poliesportiva com vestiários e elevador para portadores de necessidades especiais. Foram feitas reformas no refeitório e na cozinha. A unidade abriga 3.200 estudantes de Ensino Médio. Apesar da melhoria, alunos se queixam da falta de professores e da demora na entrega dos computadores. “A escola está muito bonita. Mas para ter qualidade é preciso contratar funcionários. Temos só quatro serventes para fazer a limpeza de 50 salas. Precisamos de inspetores e pessoal de secretária”, afirma o diretor da unidade, Celso Lopes. A secretária de Educação, Tereza Porto, prometeu encaminhar até o fim da semana 16 professores. Em São Gonçalo, a entrega do Ciep 513, em Maria Paula, foi adiada para dezembro porque a empresa não fez as obras. Haverá nova licitação para substituir a empresa.

 

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