O povo aguarda em gritante silêncio

1 07 2008
O povo aguarda em gritante silêncio

Fausto Wolff

Manter as drogas na ilegalidade é um dos maiores crimes já cometidos por qualquer governo. Legalizar a droga, controlá-la, punir o drogado de acordo com leis muito severas, criar programas que abranjam todo o país, ter controle dos estupefacientes que entram e saem, vendê-los nas farmácias, bares e restaurantes, tudo bem. Quem tiver mais de 18 anos pode fazer o que quiser com o corpo, desde que não prejudique terceiros. Quem vai contrabandear droga num país onde é legal, mas mantida sob controle e vendida com bulas nas farmácias?

Nos Estados Unidos, quando Hoover era diretor do FBI e os Panteras Negras se organizavam muito bem em todo o país, resgatando a dignidade da etnia que construiu a “pátria da liberdade”, ele teve uma idéia. Sabedor do grande número de desempregados por preconceito e da presa fácil que são homens e mulheres desesperados, uma luzinha acendeu-se em seu cérebro. O perigo não eram os trabalhadores (aliás, nunca o foram nos EUA, onde os operários sonham o sonho americano), mas sim os Panteras Negras. Mandou distribuir toneladas de cocaína em todos os cortiços, favelas e guetos e logo acabou com o único movimento que poderia fazer frente aos partidos quase gêmeos, os democratas e os republicanos, que confundem liberdade com dinheiro.

A seu Luiz bastou distribuir rações de cachorro para seres humanos ao mesmo tempo em que subornava (suborna) os prefeitos com as comissões. Mais caro custa subornar os demais partidos e criar o PU (o PT por debaixo do pano), o Partido Único, que aceita propinas que vão de matrícula numa escola até a presidência de uma repartição pública. Como se prepara a dinastia Silva, caso Çilva I não concorra, algumas aulinhas noturnas de português colocarão dona Marisa na Presidência.

De vez em quando, e quase sempre por acaso, ocorrem algumas coisas boas no país. Em Goiânia, um moleque de 18 anos embriagado ao volante matou um adulto e duas crianças. Foi preso em flagrante, está bem guardado e espera julgamento. Que a pena seja severa para que esses idiotas pensem duas vezes antes de sair embriagados de uma boate. O que faz o órgão que controla a publicidade na televisão nessas horas? Olha para o lado? Personalidades em formação (agora formam-se bem mais tarde e às vezes nunca), são presas fáceis de anúncios que mostram que os últimos modelos correm tanto quanto os aviões e que o nível cultural juvenil aumentou tanto que nem precisam mais falar para conquistar uma mulher. Basta mostrar o carro.

Não sou favorável à lei seca. Sou absolutamente contrário. Enquanto durou, nunca a máfia foi tão poderosa. Al Capone mandava não só no prefeito como no chefe de polícia e na maioria dos promotores; nunca morreu tanta gente bebendo álcool envenenado preparado especialmente para os pobres; nunca o nível de prostituição foi tão alto. Foi a lei seca que abriu as portas para a cocaína e a heroína, fazendo do tráfico de drogas o melhor negócio depois da indústria bélica, dos grandes laboratórios e da Igreja, naturalmente; Igreja que prega a absurda abstenção sexual dos sacerdotes e envia pedófilos para todas as partes do mundo. Com a mesma disposição, os novos evangélicos, em época de campanha, querem que os pobres construam casas no morro com o dinheiro roubado exatamente deles, os pobres. Proíbam a cachaça e estarão jogando mais gasolina sobre as chamas do inferno. E liberem as drogas.

A grande desgraça – descoberta das Américas – ocorreu no fim do século 15. Pouco mais de 500 anos depois, já podemos mostrar algo de positivo: brancos, pretos, cafusos, mamelucos, mulatos se aliam, assim como se aliarão Cabral e Mala em torno do Matusquela. Com o dízimo que os pobres deixaram na sua igreja, ele, o “bispo”, resolve deixar os pobres construírem casebres com seu próprio dinheiro. Se der certo, poderão apresentar o produto de 500 anos. Se der errado, o dinheiro voltará ao bolso de Matusquela e ele garante que as obras serão concluídas pela empresa privada. A empresa privada que jamais pregou pregos sem estopa fará uma muralha de ouvidos moucos (aqueles dos mercadores) com toda razão. Empresa privada está aí para pagar salários decentes e impostos devidos. Casa, terra, luz, água, eletricidade, emprego e saúde são para garantir um mínimo de decência à vida dos pobres, e não para encher os bolsos de político ladrão.

Querem a confiança da população? Façam um recenseamento honesto. Verão as centenas, se não milhares, de terrenos e prédios oficiais abandonados. Poderiam ser usados como casas populares perto dos respectivos empregos. Essa seria uma boa sociedade entre particulares, União, estados e municípios com escolas (os Cieps estão aí mesmo), creches e clínicas. Mas é claro que isso nunca vai acontecer. Gente bem empregada, com um teto para abrigá-la, com terra para plantar, com emprego para pagar as despesas e com os filhos em boas escolas não vota em ladrões. Como está, podem crer, para os maus elementos de colarinho branco é muito mais fácil e vantajoso.

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: