FORMAÇÃO DE PROFESSORES É DIFERENCIAL DE ESCOLAS COM NOTAS ALTAS NO IDEB

21 06 2008

Daniel Santana Do pe 360graus

Fernanda Bassette Do G1, em São Paulo

Colégio de Aplicação da UFPE tem o melhor índice de 5ª a 8ª série.
Escola de Santa Fé do Sul, em SP, tirou nota mais alta de 1ª a 4ª série.

Na hora do intervalo, a conversa é como a de qualquer adolescente, mas na hora de estudar a responsabilidade é de adulto. Este é o perfil dos alunos do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A unidade obteve a maior nota na avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) entre todas as escolas públicas do Brasil de 5ª a 8ª série: 8,2. A nota é mais que o dobro da média nacional, que está em 3,8. Para o diretor da escola, o professor José Carlos de Souza, o segredo do sucesso está no comprometimento dos professores e dos alunos. “O quadro docente é formado por 58 profissionais, a maioria trabalhando em regime de dedicação exclusiva. Além disso, dos 58 professores, 12 possuem títulos de doutor e 27 de mestre”, aponta o diretor, que trabalha na casa há nove anos. Nenhum professor estagiário dá aulas na escola.

O perfil do aluno do colégio também é diferenciado. Quem freqüenta o Colégio de encarou uma ferrenha concorrência no exame de admissão, feito uma vez por ano para alunos egressos no sexto ano (antiga 5ª série). “A concorrência do concurso de 2008 foi de 30 alunos por vaga”, diz José Carlos.

 Professores qualificados e alunos selecionados explicam, em parte, o sucesso do colégio no Ideb, mas a infra-estrutura da escola também colabora. Quase todas as salas de aula são aparelhadas com ar condicionado. Há, também, laboratórios de artes e informática. O Colégio de Aplicação fica dentro do campus da UFPE, e a proximidade da universidade acaba por dar aos estudantes uma gama maior de bibliotecas e espaços para estudo. Mesmo assim, as crianças e adolescentes afirmam que não vivem apenas para estudar. Caio Mendonça, de 11 anos, conquistou o segundo lugar no último concurso. As boas notas do menino são conseguidas, segundo ele, com um regime de estudos que não interfere nas brincadeiras. “Estudo todos os dias cerca de meia hora, mas não conseguiria deixar de jogar futebol nem se quisesse”, confessa.
Ana Paula Magalhães, também de 11 anos, concorda, mas vai além: “Aqui, estudar é uma brincadeira. Aprendemos nos divertindo e estudar acaba não sendo chato”, diz. Assim como os outros alunos do colégio, os dois têm aula em período integral duas vezes por semana. Para o professor de francês Marlon Freire de Melo, além da estrutura e dos profissionais, a grade curricular da escola é outro trunfo. “Os meninos têm aula de artes, informática e mais de uma língua estrangeira, fora as disciplinas tradicionais. Inglês e francês são disciplinas obrigatórias, e eles saem daqui fluentes nos dois idiomas. Alguns estudantes já viajaram para a França com tudo pago, depois de ganhar concursos de redação em francês”, conta, orgulhoso.

A nota mais alta de 1ª a 4ª série

A Escola Municipal Professora Elisabeth Maria Cavaretto de Almeida, que fica em Santa Fé do Sul, no interior de São Paulo, subiu seis pontos na avaliação em comparação ao Ideb de 2005, saltando de 2,6 para 8,6 pontos na escala (que varia de 0 a 10). Com essa pontuação, a escola da pequena cidade localizada a 623 km da capital alcançou o a nota mais alta entre as escolas públicas de 1ª a 4ª série do Brasil.
De acordo com a secretária municipal de Educação, Ana Keyla Abbud Chierice, todos os professores da rede se empenharam em melhorar as notas na avaliação do governo Federal, especialmente por causa da nota baixa no último Ideb. “Nós estranhamos ter ficado com uma nota tão baixa na avaliação passada. Tentamos saber se tinha havido algum erro, mas isso não se confirmou. A nota oficial era 2,6. A partir daí, nos empenhamos para reverter esse quadro e estamos muito felizes com isso”, disse a secretária, acrescentando que professores participam de reuniões semanais. As salas de aula possuem entre 25 e 30 alunos e todas as escolas da rede são equipadas com laboratório de informática com acesso à internet e salas de reforço. Segundo a coordenadora de ensino fundamental da rede, professora Sueli Porte Brentan, os 250 professores da rede têm curso superior de pedagogia e a maioria faz ou tem curso de especialização. Sueli afirmou que as escolas da rede passaram a usar apostilas terceirizadas em 2006 porque consideram a metodologia e o conteúdo mais adequados. “O ensino com as apostilas é muito melhor. Além disso, através desse método os professores passam por cursos de capacitação a cada dois meses, além da capacitação semanal feita pela própria secretaria. Isso é fundamental para eles ficarem bem atualizados”, disse. 

Erros e cautela

O ministro da Educação, Fernando Haddad, recomendou cautela na análise dos números divulgado nesta sexta-feira (20), pois podem ter ocorrido erros. O próprio MEC reconheceu que, na cidade de São Paulo, por uma falha técnica, os alunos que se transferiram ou morreram foram classificados como reprovados, o que levou a uma ligeira queda no índice. Em nota à imprensa, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo informou que só vai se manifestar sobre o índice quando ele for corrigido. O ministério diz que vai acertar todos os problemas que forem apontados no Ideb 2007.
O cálculo do Ideb leva em conta a nota dos estudantes em avaliações do MEC e a taxa de aprovação dos estudantes. Conheça mais sobre o índice aqui. Segundo o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, a falta de dados pode ser ocasionada por número muito reduzido de estudantes na escola ou por ausência de avaliação para o estabelecimento de ensino.

 

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