Ensino em queda livre

21 06 2008

Educação no País melhorou, mas as escolas do Rio pioraram

Carol Medeiros (“O DIA”)

Rio – Na prova final, o Rio foi reprovado mais uma vez. Resultados do Ideb 2007 (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), disponíveis a partir de hoje, revelam que, enquanto a Educação no Brasil apresentou pequena melhora em relação ao exame de 2005, o mesmo não aconteceu com o ensino fluminense. Na contramão da tendência nacional, o nível da educação pública por aqui é dramático: o município mais bem colocado do estado é Aperibé, na 95ª posição, e a capital amarga o vergonhoso 1.419º lugar. No Ideb 2005, Trajano de Morais era o 53º colocado e o ensino carioca estava na 1.056ª posição.

Num panorama geral, os números divulgados pelo Ministério da Educação mostram que a rede estadual não avançou e manteve as médias de 2005 no Ensino Médio (2,8) e no segundo segmento do Ensino Fundamental (2,9). As notas estão bem aquém da média mínima (6) e, como outros estados melhoraram seu desempenho, o Rio caiu do 15º para o 17º no ranking nacional do Ensino Médio, e do 13º para 20º lugar de 5ª a 8ª série.

Entre as 100 piores escolas do País, 23 são do Rio e 18, estaduais. As melhores colocações continuam com a rede federal. Entre os municípios, os da Baixada permanecem na lanterna e as cidades do Interior seguem dando exemplo de qualidade.

BAIXADA TEM CINCO CIDADES ENTRE AS PIORES

Na lista das 20 piores cidades do estado em qualidade de ensino de 1ª a 4ª série, cinco são da Baixada: Belford Roxo, São João de Meriti, Duque de Caxias, Itaguaí e Japeri. Quando se trata do segundo segmento do Ensino Fundamental, engrossam a lista Queimados, Nova Iguaçu e Nilópolis. São Gonçalo e Magé aparecem nas duas.

A péssima avaliação causa tristeza e preocupação nos estudantes. A doméstica Rose Alves, 34 anos, e o filho, Pablo Rodrigo Alves Torres, 13, cursam a 8ª e a 5ª série, respectivamente, no Ciep Aurélio Buarque de Holanda, Nova Iguaçu. A unidade é uma das 100 piores escolas do País. Apesar dos elogios de Pablo, Rose já pensa até em pedir a transferência dos dois para outra escola. “O ensino é muito fraco. Alguns professores não conseguem explicar a matéria com clareza, sobretudo Matemática, e isso prejudica nosso aprendizado. Só há duas semanas comecei a ter aulas de História e Geografia”, reclamou.

Na Escola Dr. Ricardo Azeredo Vianna, em Caxias, também entre as 100 piores, a aluna da 7ª série Débora Ribeiro, 13, queixa-se dos constantes tempos vagos. “Alguns professores faltam muito. Isso compromete nosso rendimento”, opinou.

Resultado reflete falta de planejamento

Para especialistas, a História recente do ensino fluminense explica o desastroso desempenho do estado no Ideb. “Há anos vivemos uma crise de projetos. As políticas de educação não têm continuidade, a secretaria muda de mãos todo ano, faltam professores.
Os resultados do Ideb são um retrato resumido disso”, aponta Bertha do Valle, professora da Faculdade de Educação da Uerj.

O subsecretário estadual de Ensino, Rafael Martinez, concorda que o baixo desempenho das escolas estaduais é fruto da falta de investimento adequado: “Vamos fazer nossa própria avaliação e no fim do ano teremos um plano de gestão para cada escola. Trabalharemos particularmente cada realidade. Tenho certeza de que isso refletirá positivamente na próxima avaliação do MEC”.

A tímida evolução do País em relação aos resultados de 2005 não devem ser motivo de comemoração, segundo a professora de Educação Miriam Paura. “O crescimento é muito pequeno em relação às metas do MEC. Não dá para comemorar”, avalia.

Rede federal do Rio mantém as boas notas

Nem tudo é notícia ruim para os fluminenses. No topo da lista nacional das escolas municipais está a E. M. de Formação Professor Governador Portela, em Miguel Pereira, mantendo a performance de 2005. A unidade é a 6ª melhor do País entre as escolas de 5ª a 8ª série, ficando atrás de duas federais do Recife, uma de Salvador, do Colégio de Aplicação da UFRJ e do Colégio Pedro II, ambos também federais.

Melhor colocado do Rio no ranking nacional do segundo segmento do Ensino Fundamental, o CAp-UFRJ se consagra novamente como uma ilha de excelência. “É maravilhoso saber que estudo na melhor escola fluminense do País. Tenho orgulho. Vim de uma escola municipal e meu sonho era passar pro CAp. O nível de ensino e de cobrança é muito mais elevado, e sei que meu esforço aqui terá resultado no futuro”, admite Bruna de Luna, 15, aluna do 1º ano do Ensino Médio.

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