CONSTRUIR ESCOLAS NO CAMPO SAI MAIS BARATO QUE TRANSPORTE ESCOLAR

10 06 2008

Por Redação, com ABr – de Brasília (Correio do Brasil)

O problema favorece a proliferação do transporte alternativo

Desde 2005, o governo federal construiu apenas uma escola na zona rural brasileira. Além disso, algumas unidades foram fechadas pelas prefeituras municipais, aumentando o déficit de 500 escolas no campo. A afirmação é da integrante da Coordenação Nacional do MST,  Marina dos Santos. – Das 500 escolas que foram assumidas pelo governo federal, pelo Ministério da Educação, pelo Incra, nas parcerias, foi construída apenas uma, no estado do Piauí, de 2005 até agora. E ainda foram fechadas algumas. Segundo a coordenadora do MEC para Educação no Campo, Sara Lima, a partir de 2005 foram liberados recursos para a construção de 50 escolas, mas alguns problemas impossibilitaram que elas fossem finalizadas. Segundo Sara, este ano o governo federal vai liberar R$ 200 milhões para a construção e aparelhamento de 229 escolas. Muitos prefeitos fecharam escolas na zona rural, nos últimos anos, alegando que é mais barato transportar os alunos das fazendas para a cidade do que manter salas de aula com professor no campo. Sara, no entanto, diz que um estudo do MEC que ainda não foi divulgado mostra o contrário. – A crise nos transportes tem comprovado que a escola no campo sai mais barato e o MEC está trabalhando com as prefeituras para mostrar isso. No ano passado, somente o governo federal gastou cerca de R$ 270 milhões com o Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (Pnate), que visa a atender alunos moradores da zona rural. Para cada estudante transportado, o governo gasta entre R$ 81 e R$ 116,32, conforme as necessidades do município. A coordenadora do Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera), Clarisse dos Santos, que é do Incra, avalia que o raciocínio dos prefeitos que fecham escolas no campo é imediatista e apenas econômico, sem pensar no impacto social. – Ele não leva em conta o impacto que isso tem sobre o próprio aprendizado das crianças. As crianças saem de casa às 4h e voltam às 16h, às vezes sem almoço. É uma desumanidade. Para Marina dos Santos, além dos horários, “isso traz muitos problemas, porque as crianças não estudam a sua realidade do campo, que é diferente da realidade da cidade”. Ela considera que esse é um reflexo da lentidão do estado, que “enterra” toda a construção de escolas no meio rural. – O processo de luta pela terra, da conquista da terra, da conquista dos direitos da pessoa, está diretamente ligado ao processo da educação – ressalta Marina, mostrando a importância que essas escolas representam para o MST. Segundo Clarisse, coordenadora do Pronera, o último levantamento feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) constatou que 30% dos moradores da zona rural brasileira são analfabetos, índice que cai para 24% nos assentamentos.

 

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