COMPANHEIRO DE SARGENTO GAY DENUNCIA PERSEGUIÇÃO E CONSTRANGIMENTO NO EXÉRCITO

9 06 2008

Evandro Éboli, O Globo

 

BRASÍLIA – O sargento Fernando de Alcântara de Figueiredo afirmou que está sendo perseguido no trabalho, no Hospital Geral de Brasília, e que seu companheiro o também sargento Laci Araújo, que está preso na carceragem da Polícia do Exército, em Brasília, está sendo submetido a constrangimento. Os dois revelaram sua condição de homossexual à revista Época da semana passada. Na madrugada de quarta-feira, Araújo foi preso em São Paulo, acusado de deserção. O sargento disse ao jornal “O GLOBO” que Araújo está mal e sendo submetido a uma tortura psicológica. Ele disse ainda que o Exército teria proibido o companheiro de tomar dois remédios controlados, ansiolíticos, que ingere diariamente. Ele já havia denunciado que o companheiro foi torturado na transferência ao hospital de Brasília e o próprio Araújo disse ao “Fantástico” ter sido transformado em inimigo número 1 do Exército.

– Ele está mito abalado. Está destruído. Fica o tempo inteiro isolado numa cela e sempre algemado. Quando vai tomar banho de sol, cinco soldados o obrigam a tirar a roupa, numa revista constrangedora – revelou.

“Depois que o caso veio à tona, me transferiram para o chefia do serviço de lavanderia “

Segundo Figueiredo, desde que sua história com Marinho veio a público, sua vida na caserna mudou. E muito.

– No hospital, eu trabalhava com sistema de saúde, com licitações e contratos. Depois que o caso veio à tona, me transferiram para o chefia do serviço de lavanderia. As pessoas me evitam no serviço e muitos fazem piadinha e me tratam com sarcasmo. Os amigos se afastaram com medo de represália. Alguns já estão sofrendo por me conhecerem. Estou isolado. Me sentindo um leproso. Na hora de almoçar, fico numa mesa longe de todo mundo – contou o sargento.

Figueiredo afirma que acionará a Justiça para que o companheiro volte a tomar seus remédios e denunciará os supostos maus tratos ao companheiro em várias comissões de direitos humanos – na Câmara e no Senado – e também na Secretaria Especial de Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República. Figueiredo compareceu neste domingo no encerramento da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, na capital federal. Cogitou-se que ele faria um discurso para os participantes, mas foi aconselhado por advogados a não fazê-lo. Ele ficou quase duas horas reunidos com dirigentes da conferência, ativistas e assessores de parlamentares que têm saído em sua defesa. Na conferência, o militar foi tratado como um ídolo. Gays e travestis faziam questão de tirar fotos com ele. Antes de seguir para o evento, ele visitou Araújo. Graças a uma decisão judicial, ele tem direito a ver o companheiro durante uma hora. Mas não é um encontro fechado. Os dois conversam com um anteparo na frente, como se fossem advogado e cliente.

 

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