UM MÊS LONGE DOS ESTUDOS EM SÃO GONÇALO

5 06 2008

Natalia von Korsch – Extra

RIO – Faz um mês hoje que parte dos estudantes das escolas da rede municipal de ensino estão sem aulas em São Gonçalo (ouça o que diz um dos alunos sem aula) . Até o momento, não há acordo para pôr fim à paralisação entre os representantes da Secretaria municipal de Educação e o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe).

Segundo o Sepe, cerca de 80% dos 3.290 professores do município aderiram à greve. Por sua vez, a Secretaria de Educação afirma que apenas 25% da categoria não estão em sala de aula.

Alunos prejudicados

Enquanto isso, quem sofre são os estudantes, do pré-escolar ao 9º ano do ensino fundamental. Nas escolas onde o corpo docente aderiu totalmente à greve, que teve início no dia 5 de maio, tem sido comum a romaria de alunos até a porta dos colégios, em busca de informações sobre a retomada do ano letivo.

– Quase todo dia venho a minha escola saber se haverá aula. É uma situação muito desagradável. Está complicado para os dois lados. Os professores precisam de aumento, mas nós queremos estudar – lamentou Débora Machado, de 15 anos, aluna do 7º ano da Escola Municipal Presidente Castello Branco.

– Estudo há quatro anos nesta escola e é a primeira vez que fico tanto tempo sem aula. Eu gosto de estudar e sei que estou perdendo um ano da minha vida. Vamos acabar repetindo de ano, por falta de aula – disse Maria José, de 14 anos.

– Fico em casa assistindo à televisão em vez de vir para a escola. Não é o ideal – afirmou Mara, de 17 anos.

“Inimiga da educação”

No Colégio Municipal Estephânia de Carvalho, os professores grevistas colaram cartazes no muro externo do colégio onde aparecia uma foto da prefeita Aparecida Panisset e a inscrição: “Inimiga nº 1 da Educação”.

– Só vamos voltar quando a prefeita fizer uma proposta decente – disse a professora Adalseli dos Reis.

Entrave do reajuste

Reajuste: professor quer 26% e governo, 2,5% .A principal reivindicação dos professores de São Gonçalo – que decidiram continuar a greve por tempo indeterminado em uma assembléia realizada na última terça-feira – é a reposição salarial de 26%. Segundo nota divulgada ontem pela assessoria de imprensa da Secretaria municipal de Educação, esse reajuste é impossível por causa da “baixa receita da Prefeitura Municipal de São Gonçalo, o que inviabiliza um nível remuneratório mais favorável ao conjunto dos servidores”. Porém, na mesma nota, a secretaria dá novas esperanças de um futuro aumento salarial aos mestres: “a negociação com o sindicato dos professores continua, não tendo sido encerrada com a proposta feita de 2,5% de reajuste salarial”.

Um dos efeitos colaterais da greve prolongada, que vem dando dor de cabeça a professores e alunos da rede, também já está sendo resolvido pela secretaria:

“Entre as medidas tomadas para minimizar o impacto da greve, está a elaboração de um calendário para reposição das aulas, para ser adotado nas unidades que aderiram ao movimento”.

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