“nossos moços não arranjam emprego porque são burros.”

24 05 2008

Fausto Wolff (Do “O JORNAL DO BRASIL”)

Não tive tempo para ser adolescente. Aproveitando-me da minha altura, aos 5 anos, depois de ir à escola, lavava vidrinhos de uma farmácia homeopática perto de casa ou ia procurar orquídeas no mato para vender. Aos 14 anos já era jornalista. Não me lembro de falta de emprego naquela época. Parece que a coisa mudou. O tempo no Brasil deve comportar-se de modo assaz peculiar. Li que durante todos os anos 90 até 2004 o desemprego no Brasil entre adolescentes começou a diminuir. Um idiota “democrata” chegou até a brindar. Hoje, porém, sem mais nem menos, sem Valium ou Lorax, li que o Brasil (que perdeu na Alemanha naquela Copa de cinco minutos de futebol), é campeão mundial em desemprego entre adolescentes numa lista de 13 países. Eu, que já não gosto da adolescência em geral, arranjei mais motivo. É quase certo que, se você encontrar um rapaz ou uma moça na rua, ele(a) estará desempregado(a). Da nossa juventude, 46% não têm emprego. Claro, entre eles pode haver um Villa-Lobos ou um Radamés, mas, levando-se em conta a qualidade da nossa “música”, devem estar pensando besteira. De 1985 até agora o emprego adolescente se manteve estável entre 40% e 49%. Simplesmente porque o desemprego adulto aumentou barbaramente sobre o desemprego adolescente. Já o México, segundo colocado, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos, tem no poder o mesmo Partido Revolucionário Institucional, que, desde os tempos de Madero, vence todas as eleições. Não tem nada de revolucionário, e se um índio der palpite, mandam-no calar a boca. Ainda assim, os mexicanos são menos alienados do que nós e nas últimas eleições, por poucos votos roubados, ganhou o candidato da direita de novo, mas dessa vez o povo foi às ruas reclamar, e houve nova eleição roubada, graças ao bom Tio Samuel. No México é assim: milionário americano ganha um milhão a mais, milionário mexicano ganha meio milhão a mais. Operário americano ganha cinco dólares a mais e o operário mexicano, cinco pesos a menos. Ainda assim, o obrero mexicano prefere se arriscar a atravessar a fronteira e ser tratado como um cachorro a morrer de fome em “seu” próprio país. Em terceiro lugar vem a Argentina, com 36% dos jovens desempregados. No Brasil, alega-se que nossos moços não arranjam emprego porque são burros. Não é verdade. Não encontram emprego porque sua professorinha, ganhando menos de um salário mínimo, é um pouco mais alfabetizada do que eles. Na Argentina, as professoras são excelentes e há uma livraria em cada esquina, uma biblioteca em cada bairro. Orgulhoso como sempre, mas cansado, os argentinos hoje são garçons. Os velhos ternos e sapatos estão saindo novamente dos armários para fazer frente à globalização ou, pior ainda, tornar-se escravo dela. Em quarto lugar, com pouco menos de 40% de desemprego entre os jovens, a Grã-Bretanha. O império do mundo hoje é colônia americana. Depois de sugar Ásia, África e América Latina, viram que era mais negócio dar independência às colônias e pagar salários e comissões às autoridades locais, em vez de gastar com a população. Esqueceram-se de que os colonizados da África, Ásia e América do Sul também são cidadãos britânicos. No princípio, os brancos gostaram de ver os negros fazerem os serviços mais sujos e humilhantes. Quando, porém, começou a faltar dinheiro, pediram seus postos de volta e não foram atendidos. Os que o foram passaram a lavar latrinas e o negro cidadão britânico passou a pedir esmolas, a traficar, a mexer com o lenocínio ou simplesmente a esperar pelo wellfare todo mês. Os americanos acham que a solução é provocar uma guerra ente os países da América do Sul, tendo como meta a região amazônica, para acabar com os vizinhos. Tentaram dar o golpe duas vezes na Venezuela. Não conseguiram. Tentaram golpear a Bolívia. Não conseguiram. Os Estados Unidos têm tropas em toda a América Latina, inclusive aqui. E têm a desculpa: tráfico de cocaína. Mais os canalhas que sempre estão prontos a lamber-lhes as botas mediante aquela velha comissão. Não fora o Irã, já teriam acabado com a Bolívia, mas Morales não é participante do BBB para boiar em água de latrina. 

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: