MANGUEIRA SERVE DE SALA DE AULA NA GUINÉ-BISSAU

15 05 2008

 

Por Redação, com Lusa – de Lisboa

Cerca de cem crianças freqüentam a escola a céu aberto

Pier de Carvalho, ex-combatente das forças armadas portuguesas na Guiné-Bissau, dá aulas há 18 anos, em uma escola improvisada debaixo de uma mangueira, para tentar salvar a língua portuguesa no país. Atualmente, cerca de cem crianças freqüentam a escola a céu aberto, onde aprendem ortografia, caligrafia, geometria e ciências.
Em funcionamento desde 1990, a escola do professor Pier é uma das poucas que ainda ensinam à moda antiga, como na “época colonial”. O velho professor diz gostar de seu trabalho, mas lamenta que, hoje em dia, as crianças guineenses não falem mais o português.– Querem falar o francês ou o inglês, o português é que não gostam de falar, talvez por medo de errar. Mas aqui sabem que têm que tentar falar português – disse o professor. Pier de Carvalho culpa os pais e o ensino
oficial do país pelo desuso da língua de Camões na Guiné-Bissau, país que foi colonizado por Portugal. – Qualquer dia, será difícil encontrar um jovem guineense que saiba falar o português corretamente – afirmou. Carvalho é guineense, mas serviu a tropa colonial portuguesa como soldado de artilharia. Mais tarde, foi nomeado professor de um posto escolar militar no leste da Guiné-Bissau. Entre 1972 e 1974, Pier de Carvalho ensinou crianças guineenses e soldados portugueses “com pouca instrução escolar”. No final da guerra colonial, o ex-militar chegou a trabalhar no Ministério da Educação da Guiné-Bissau, mas percebeu que não tinha vocação para funcionário público. Para ensinar crianças, Pier de Carvalho decidiu abrir uma escola particular. No entanto, por falta de meios para alugar uma casa, o professor resolveu lecionar debaixo de uma mangueira.– Às vezes, apanhamos sol e chuva e somos obrigados a interromper as aulas – relatou. Embora apenas complemente a escola oficial, o professor dá aulas a crianças de 5 a 15 anos entre segunda e sexta-feira. A mensalidade varia entre 500 e 1000 francos CFA (R$ 2 e R$ 4), mas, às vezes, os pais não conseguem pagar. – Ensino as crianças por paixão, não por dinheiro – diz o professor, que acaba perdoando as dívidas.

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