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4 05 2008
Quem tem medo do miguxês?
 Forma de escrita comum entre jovens internautas causa polêmica envolvendo pais, filhos e professoresPaulo Marcio Vaz (Do “JORNAL DO BRASIL”)

“OviRAM Du IpirANGaH AxXx MArgENxXx pLaCidaxXx…DI 1 POvU herOicU u BraDeeNHU rETUmBABTi…”

O trecho acima, extraído de um site da internet, traz os primeiros versos do Hino Nacional escritos em miguxês, uma nova linguagem que alguns jovens, os miguxos (amigos), têm adotado na internet. No lugar de “s”, usa-se “x”. Aliás, “xXx”. Letras maiúsculas não necessariamente iniciam uma frase e aparecem de repente, de forma aleatória, no meio de uma palavra. Reticências são abundantes e substituem ponto final e vírgulas.

– É um jeito de escrever como se fala – explica Mariana Gameiro, adepta do miguxês dos 13 aos 15 anos, mas que, aos 16, quando decidiu que iria prestar vestibular para jornalismo, achou por bem voltar a escrever normalmente.

Muitos pais estão apavorados, assim como alguns amantes da língua portuguesa que chegam a criar comunidades de protesto no Orkut. Algumas são até muito bem-humoradas, como a Academia Brasileira de Miguxês, que usa o próprio como arma na dedicatória on-line: “prAH ToduxXx uxXx retardAduxXx Ki GosTAM dI EscREve NEsti idiOmah DuxXx inFERnUxXx…” (tradução: Para todos os retardados que gostam de escrever neste idioma dos infernos).

Bíblia

Do inferno ao céu, nem a Bíblia escapou. Em setembro, diversos blogs reproduziram uma pseudo-reportagem sobre um novo projeto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): criar a Bíblia em miguxês. Havia até exemplos de versos do Gênesis, já traduzidos. O objetivo seria aproximar a Igreja da comunidade jovem. A CNBB diz desconhecer tal projeto.

Uma das coisas que deixam preocupada a empresária Andréia Kuhnen, de 36 anos, é um hábito de sua filha, Karin, de 16. Segundo a mãe, “ela vive na internet, escrevendo daquele jeito esquisito”.

– Até comigo, no MSN, ela escreve assim, trocando as letras. Durante o bate-papo eu falo: “Karin, escreve direito!”. E ela ainda tem a cara de pau de me dizer que, às vezes, nem se lembra mais como se escreve da outra maneira.

Karin defende-se:

– É exagero dela. Acho que o miguxês é uma fase e a minha está passando. Agora que estou no 3º ano, começo a me preocupar em escrever direito.

Quem ainda não parou e pretende continuar com o miguxês é o universitário Marcel Carvalho, o mamuTe, de 21 anos. Acostumado a trocar maiúsculas por minúsculas, diz que não precisa pensar muito para escrever em miguxês.

– Já ficou automático. Escrevo com a mesma facilidade que em português comum – garante.

Saudades do mIRC

mamuTe tem a resposta para quem não entende o porquê de as letras maiúsculas estarem fora do lugar. Segundo Marcel, o hábito vem do mIRC, um dos primeiros programas de bate-papo da internet, que deixa saudades em antigos usuários, como ele.

– O próprio logotipo de mIRC já vinha com o “m” minúsculo e o “IRC” maiúsculos. No programa, acionávamos um comando que fazia com que as letras ficassem maiúsculas ou minúsculas de forma aleatória. Como o MSN não tem esse recurso, a gente faz à mão.

Usar maiúsculas no meio das palavras é uma característica típica do neo-miguxês, já que existe ainda o miguxês arcaico e o moderno, de acordo com o site http://aurelio.net/miguxeitor. Lá, um tradutor ajuda os iniciantes a aprenderem o bEabAH.

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