DO IMUNDICÍPIO AO MERDESTADO: ANOTAÇÕES SOBRE O ENSINO PÚBLICO.

10 04 2008

(Texto pescado na Internet – trechos)

 

Da Gênese

Ou: “pegue um fósforo”

Tudo começou no imundicípio (digo município), quando os gênios gestores uniram a aprovação automática com as “políticas de inclusão” e produziram uma aberração pedagógica. Transformado em depósito de órfãos de pais e mães tão vivos quanto ausentes, o município nem educou (função básica) os “normais” e nem melhorou (função colateral) os “especiais”.

 

Da desculpa

Ou: “acenda o pavio da bomba”

Escalado para cumprir um papel que não é seu – dar ao aluno a educação que ele não recebeu em casa – o município, sem ter estrutura pessoal nem material para tal feito, fracassou em gênero, número, espécie e outras instâncias que ainda não foram inventadas. O resultado fatal de tão brilhante idéia foi que o nível dos alunos (de)formados pelo ensino fundamental despencou ladeira abaixo em velocidade de trem sem freio. Mas vejamos o lado bom da coisa: como efeito paralelo também foram produzidos diversos relatórios arrumadinhos e corretamente preenchidos – o sonhos dos burocratas – que diziam que todos os objetivos foram atingidos e os alunos estavam aptos (?) a ingressar no ensino médio.

 

Da transferência de responsabilidade

Ou: “toma que a bomba (agora) é tua”

E o município puxa a descarga e despeja tal massa informe e desprovida dos mínimos princípios de civilização nos braços do merdestado (digo estado). Ele é o responsável pela preparação deste material orgânico para “a compreensão dos fundamentos-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática”, pelo menos é o que diz o “script” daquela comédia: a Lei 9394, por cognome “LDB”. Para uma seqüência de eventos consideremos: a) os pais deveriam educar os filhos, não o fazem e transferem esta responsabilidade para o município; b) O município que deveria dar apenas cultura,  assume a responsabilidade que era dos pais e acaba não fazendo nem uma coisa (cultura), nem outra (educação); c) O estado que deveria dar cultura (em outro nível), tenta refazer o estrago causado pelo município em detrimento de seu próprio trabalho,  terminando por não consertar o estrago já feito e não cumprir seu objetivo básico.

 

Do produto final.

Ou: “Corre que esta merda vai explodir!”.

Da matéria prima que atravessa o ensino fundamental e médio o sistema atual está moldando seres dignos de um lugar nos laboratórios de patologia, seção teratológica. Alunos terminam o ensino médio e não sabem ler, escrever, nem contar, escrevem o próprio nome com inicial minúscula e parágrafos inteiros sem vírgula ou outro sinal qualquer. São todos joyceanos.  E o produto final são pessoas que não sabem operar terminais, que não sabem ler um manual, são incapazes de fazer a diferença entre viver e se deixar levar, apreciadores de músicas com sons primários e rimas idem, consumidores de todo o lixo produzido pela indústria cultural e vítimas ideais dos porcolíticos e dos camelôs da religião.

 

Do epílogo

Há cinco décadas a Coréia do Sul estava destroçada pela guerra, investiu pesadamente em educação e hoje é a 14ª nação em requisitos básicos.

Nós estamos em 101º lugar.

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