JOVEM DE 17 ANOS É ACEITO NO MESTRADO DA UFSCar

8 04 2008

Aldo Vieira Pinto cursou a faculdade de matemática em três anos.

Apesar do avanço acadêmico, ele diz que não se considera superdotado.

Fernanda Bassette Do G1, em São Paulo

  

Aldo entrou na faculdade aos 14 anos e aos 17 está matriculado no mestrado na UFSCar. Enquanto a maioria dos jovens de 17 anos se prepara para entrar na faculdade, Aldo Vieira Pinto dedica as suas horas de estudo para o curso de mestrado em matemática na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde pretende seguir a carreira de professor e pesquisador. Ex-aluno da rede pública de ensino, Aldo diz que seu progresso na vida acadêmica é resultado de muito estudo e dedicação e que ele não se considera superdotado. “Sempre gostei muito de estudar em casa, fora do horário de aula. Geralmente eu lia a matéria antes de ir para a escola e tinha muita facilidade em assimilar conteúdos. Por isso, pulei três anos da escola e cheguei à universidade aos 14 anos”, conta. Por causa de seu desempenho acima da média, Aldo cursou as duas primeiras séries do ensino fundamental em um ano e pulou a 5ª série do ensino fundamental e também o 2º ano do ensino médio. Ele diz que nunca se preocupou em fazer algum exame para atestar se ele é ou não superdotado e que as mudanças de série aconteciam por recomendação dos próprios professores. “Os professores observavam o meu desempenho escolar e as minhas notas e, por consenso, decidiam que seria melhor eu pular alguma série. Eles achavam que seria mais produtivo para mim e assim aconteceu”, diz o estudante. O jovem mestrando disse que sofreu com a diferença de idade no começo, quando saltava de série ainda criança. Ele afirma, no entanto, que depois de algum tempo fazendo terapia, superou essa dificuldade e hoje consegue lidar muito bem com a diferença de idade entre ele e seus colegas de classe. “Eu tinha problemas de relacionamento com os colegas, eu tinha dificuldade para me enturmar. Passei a freqüentar uma psicóloga e com apoio dos meus pais e professores eu consegui superar isso. Esse apoio foi fundamental para o meu crescimento”, afirma o garoto.

A matemática chegou ‘por acaso’

Aos 14 anos Aldo terminou o ensino médio e prestou vestibular para biologia em uma instituição particular de Lages, em Santa Catarina. Filho de uma auxiliar de cozinha e de um barbeiro, ele conta que seus pais não tinham dinheiro para pagar a mensalidade do curso e, por isso, ele migrou para o curso de matemática, que era mais barato. “Eu era muito jovem e não sabia muito bem o que queria. Como o curso de matemática era mais barato e sobraram vagas eu resolvi me matricular e cursar. Rapidamente eu me identifiquei com a carreira e não me arrependo de não ter feito biologia. Acho que isso foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, diz. Na universidade, Aldo diz que nunca teve problemas de relacionamento com os colegas porque “já estava acostumado” com o fato de ser o mais novo da turma e despertar a curiosidade dos colegas. “Eu comentava com a minha mãe que não daria para eu fugir dessa situação. É normal na minha condição e eu aprendi a me adaptar a isso, à curiosidade das pessoas. Antes eu ficava um pouco tímido, mas hoje eu ajo com naturalidade. Com o tempo, as diferenças foram vencidas”, afirma o estudante. Além de ser o mais jovem da turma, Aldo cursou os quatro anos do curso de matemática em três. Como era aluno do noturno, ele conseguia adiantar várias disciplinas durante o período da manhã. “Minha carga horária de disciplinas ficou um pouco pesada, por isso o curso foi um pouco mais trabalhoso. Mas, no geral, deu para cursar super bem”, disse.

O mestrado na UFSCar

Depois de concluir o ensino superior, Aldo começou a procurar alguma instituição que o aceitasse como aluno do mestrado. Se inscreveu em várias e recebeu a resposta positiva da UFSCar, que fica no interior de São Paulo. “Eles me ligaram e ligaram na minha faculdade para falar com os professores que fizeram carta de referência sobre mim. Me aceitaram e já estamos em aula há um mês. Estou adorando”, afirma o aluno, que vai dedicar os estudos para a área de equações diferenciais parciais ou análises. Aldo saiu de Lages (SC) e foi morar em São Carlos (SP). Segundo ele, a mãe e o irmão devem se mudar para a cidade quando ele chegar ao doutorado. “Por enquanto eles ficam lá e eu aqui. A experiência está sendo boa”, disse.

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