O DESAFIO DOS EDUCADORES

31 03 2008
Opinião – O desafio dos educadores (transcrito do “Jornal do Brasil”)
Antônio Luiz Bianchessi,filósofo e educador

O desafio parece superar a capacidade humana de resposta. A educação permanece destaque internacional.

A situação assemelha-se ao desafio do tubarão. Venceremos a luta se avaliarmos as reais dimensões da fera. É importante munirmo-nos de estratégias e de “armamento” que o impacto exige. O maior inimigo de mudanças é o próprio ser humano. Destacam-se os adeptos intransigentes do sistema educacional vertical vigente.

O esforço que vise à “intocabilidade” do sistema resultará em degeneração da própria educação. Nesse campo, o fechamento mental torna-se, praticamente, intransponível porque a perda de poder lesa aspirações profundas, mantidas como nobres valores.

O conhecimento precário e até generalizado da realidade educacional limita-nos os avanços culturais e amplia o retrocesso no campo da humanização.

Diferentes áreas filosóficas mantenedoras de “valores” egoístas, a cultura negativa dominante, a carência de sustentáculos sólidos para comprovar as próprias idéias, o jogo de interesses, etc. ampliam a magnitude dos problemas a enfrentar.

Impor limites e ministrar mais educação constam do cardápio dos mantenedores do status quo.

Na prática, o que seria “impor mais limites” e “dar mais educação”? Para os adeptos da nova educação tais exigências representam o retrocesso aos tempos escabrosos da submissão irracional.

É negativo impor limites aos educandos. A imposição exige presença quase permanente do educador. A adesão a valores impingidos pela força do poder acontece quando o medo serve de sustentáculo para que ocorram as mudanças.

Existem, porém, duas ressalvas: 1) O educando, após reflexão, decide que assumirá determinado valor por decisão subjetiva, atribuindo-lhe descoberta pessoal. Torna-se, então, paradigma interno. 2) O educador é modelo qualificado e, às vezes, acabado, daquele limite para o educando. As palavras voam, mas o modelo permanece e “arrasta”.

O educando pode despender 100% de suas potencialidades em favor de uma causa, quando a aprendizagem for sustentada por paradigmas internos. O educador, em sua caminhada periclitante, depara-se com desafios, aparentemente, intransponíveis. O sistema não lhe proporciona segurança.

O jovem deve suprimir ou domesticar suas emoções. Seu lema social, conforme alertamos, “livrar-se das pessoas”, caracteriza o futuro de sua convivência. O ambiente torna-se explosivo. As emoções, nem sempre controláveis, externizam violência interna e externa. A domesticação não educa para a convivência participativa.

Geralmente, o educando deve pensar e sentir conforme paradigmas externos. A “boa educação”, indiretamente, coloca obstáculos ao desenvolvimento do potencial humano.

A jovem, por sua vez, sente-se bloqueada no campo das potencialidades. Através dos paradigmas externos, o educador fomenta a evolução das emoções, muitas vezes, de forma exagerada. Na prática, a jovem pode, livremente, externar suas emoções, sem a violência da censura e da imposição.

O jovem desabrocha suas emoções. Quando convive socialmente, sua força belicosa, muitas vezes, assume posição extremista.

A jovem tende à harmonização do grupo. Seu estresse evolui, principalmente, quando a convivência desperta ciúmes. Os transtornos psicológicos, morais e éticos, generalizados, oneram a angústia que abala a segurança dos educadores.

A conjuntura preocupante reside na “uniformização” da educação. Para alguns setores do campo educacional, não existe diferenciação entre os sexos.

É comum presenciarmos carências generalizadas de amor, compaixão, afeto, sentimento etc. e de qualificações específicas, que humanizam a humanidade. Permanecemos estáticos e insensíveis perante essa visão, muitas vezes, catastrófica.

A mulher é oblativa na família e na convivência humana. Sua presença harmoniza o ambiente, equilibra os desnorteados e propaga a paz.

É primordial formar equipes confiáveis, que labutem na formação de mulheres profundamente femininas, que encantem aos desencantados sem encantos para encantar novos para a arte de educar.

É oportuno observar que, ao iniciarmos a vida, o espermatozóide campeão fecundou o óvulo da mãe, que nos gerou. Somente o campeão teve o privilégio de tornar-se um humano e de viver a vida. Os perdedores fracassaram. Morreram. Não houve oportunidade? Todos os espermatozóides (500 milhões?) tiveram idênticas oportunidades de fecundar o óvulo.

Se o vice-campeão avançasse o sinal e fecundasse o óvulo que lhe deu a vida você estaria no campo das hipóteses. Seria bom negócio para o mundo? Por quê?

Para concluir, podemos afirmar que somos todos campeões pelo fato de termos nascido. Superamos os obstáculos que se opuseram à nossa caminhada. Cantamos vitória.

Por que a presença de campeões ou de vencedores encontra-se tão precária? A última estatística que conhecemos afirmava que um em um milhão tornava-se realmente líder.

Que causa atua diretamente, na formação de líderes? Que mudanças devemos promover para que a sociedade idealize e desenvolva autênticos campeões?

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