PROFESSOR: NOVA FORMA DE GRATIFICAÇÃO

30 03 2008

(Transcrito do jornal “O DIA”)Em entrevista, secretária de Educação Tereza Porto anuncia ganho por produtividade Maria Luisa Barros Rio – Professores mais comprometidos com a qualidade do ensino, mais dedicados a seus alunos e mais assíduos em sala de aula terão contracheques mais gordos no fim do mês. A gratificação por desempenho e produtividade é uma das propostas em análise pela nova secretária estadual de Educação, Tereza Porto, que está elaborando projeto pedagógico para substituir o programade avaliação Nova Escola.Em entrevista a O DIA, a 12ª secretária a assumir a Educação do estado em 11 anos anuncia mudanças na escolha dos diretores das 1.591 escolas da rede, que passarão a ser certificados. Há apenas 37 dias no cargo, Tereza Porto quer retomar o programa de concessão de bolsas para estudantes monitores, realizar provão para 1,4 milhão de alunos, trazer de volta os orientadores tecnológicos para reabrir as salas de informática e convocar mais 3.153 novos concursados (671 orientadores tecnológicos, 2.082 Doc 1 e mais 400 para ocupar o lugar dos que desistiram das vagas).—A última chamada de concursados resolve em definitivo a carência de professores?
—Ainda não. Vamos chamar mais um grupo de concursados. Mesmo depois da convocação, alguns professores não apresentam a documentação necessária, outros não assumem a escola onde existe a carência. Às vezes preferem abrir mão da vaga no município onde eles não residem. Temos que lotar todos os professores e só ao fim de 30 dias chamar novo grupo para substituir aqueles. Vamos convocar mais 400 para ocupar essas vagas e ainda assim há uma carência. Vamos chamar mais 2.082 professores Doc 1 (6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e o Ensino Médio).
—A secretaria tem planos para elevar o salário de funcionários da Educação, como reajustes ou abonos?—Temos intenção de dar reajuste, sim, e valorizar o profissional. Mas isso envolve várias secretarias. Temos que trabalhar com a realidade financeira do estado. Se decidirmos pela gratificação, ela será contemplada no projeto pedagógico que está sendo elaborado. Eu defendo a gratificação por desempenho. Fui presidente do Proderj (Centro de Tecnologia da Informação do Estado do Rio) durante oito anos e lá isso funciona assim. Eu implementei esse modelo. A gratificação é por produtividade, por desempenho do profissional. Acho que isso pode e deve produzir melhoria na qualidade do ensino, que é o objetivo de todos nós. Isso deve ser contemplado no nosso projeto.—De quanto é o orçamento da Educação este ano?—São R$ 2,853 bilhões, sendo que R$ 1,75 bilhão corresponde à folha de pagamento da secretaria.—Qual será a prioridade nos gastos?—Temos três linhas de ação. A primeira é a infra-estrutura. Queremos oferecer escola digna para nossos alunos. Estamos com mais de 100 unidades em reforma. A outra área é a aquisição de imóveis para ampliar o Ensino Médio diurno na Região Metropolitana. No Interior, a demanda está atendida. Em muitos locais, a gente compartilha escolas com o município. Vamos criar pontos de cultura com recursos do MEC para oferecer cursos de música, dança, cinema, balé, teatro. O aluno precisa se sentir atraído. O terceiro eixo é qualificação do professor. Já começamos a distribuição de notebooks (computadores portáteis, com acesso à Internet em banda larga).—Pais e alunos reivindicam a reabertura das salas de informática, cujos orientadores tecnológicos foram deslocados para suprir a carência em sala de aula. Quando isso será resolvido?
—Vamos fazer em breve uma chamada no site da secretaria para os 920 orientadores que já foram treinados para verificar quem quer voltar à função. No lugar deles, vamos chamar concursados. Além disso, vamos chamar mais 671 concursados Doc 1 para atender todas as escolas. Creio que a adesão será bastante alta porque eles foram qualificados para isso. Já temos autorização do governador para chamar concursados. Teremos um orientador para cada uma das 1.591 escolas que vão receber laboratórios. Hoje são 950 laboratórios. Além disso, no projeto ‘Educação para a Sociedade do Conhecimento’, o primeiro momento é o ‘Conexão Professor’, que é a distribuição de equipamentos e a qualificação dos profissionais para usar essa tecnologia. O segundo momento é o ‘Conexão Escola’, quando a gente colocará um laboratório em todas as 1.591 escolas com Internet em banda larga.
—A secretaria pensa em retomar as avaliações do Nova Escola?—Estamos preparando um projeto que será apresentado ao governador. Uma das propostas é retomar bolsas para bons alunos que tenham interesse em fazer trabalhos de monitoria. Vamos implementar plano de ações de melhoria pedagógica. Temos resultados do Prova Brasil, do Ideb, que podem nos auxiliar. Mas nós temos intenção de fazer avaliação estadual com todos os alunos para que a gente identifique as nossas carências e prepare plano de ação por escola. Não é receita de bolo. São Paulo e Minas já fazem suas avaliações. Todos os estados estão trabalhando nessa linha. Uma solução de uma escola de Ensino Médio do Rio pode não ser a mesma para outra do Interior. A equipe daquela escola é que deve identificar seus problemas e apresentar plano de metas.—De que forma a secretaria pretende resolver o problema das escolas compartilhadas com o município?— O Ensino Médio tem que ser acompanhado de outras atividades. A gente deve usar o contraturno para reforço, ter laboratórios, atividades culturais. Ter uma escola aberta que atraia a comunidade, que envolva os pais. Estamos mapeando prédios para aquisição. Vistoriamos 68 prédios na Região Metropolitana para onde possam ser transferidos os alunos de escolas compartilhadas. A primeira, a Escola Suíça, em Santa Teresa, será inaugurada dia 8 de abril. A meta é acabar com o compartilhamento.—Um dos compromissos firmados pelo estado com o MEC é permitir eleição para os diretores. Isso vai ocorrer na sua gestão?— Vamos mudar o modelo para indicação de diretor. Não haverá indicação, vai haver qualificação. Só poderá se tornar diretor aquele professor que tiver certificado do curso de gestão escolar. Cada diretor fará diagnóstico da sua escola e vai preparar um plano de ações com metas e indicadores. O diretor vai ser avaliado a partir daí. A gente acredita que o envolvimento, a dedicação, a participação efetiva do diretor transforma uma escola. Escolas bem administradas produziram índices de desempenho escolar muito positivo. O plano de metas que ele apresentar vai ser avaliado. Por exemplo, se a gente tiver uma vaga de diretor, vai verificar quais professores têm certificado. Eles serão chamados para uma seleção. Todos os diretores terão que fazer. No caso dos professores, os que tiverem interesse poderão fazer o curso e vão compor um banco. O curso começa ainda no primeiro semestre.—Nos últimos 11 anos, o estado teve 12 secretários de Educação. Essa descontinuidade afeta a qualidade do ensino?—Acho que não a descontinuidade de pessoas, mas a dos projetos afeta, sim. A formação de um aluno não se faz em seis meses, é um processo prolongado. Se não existe continuidade, com certeza o resultado final está comprometido.


Comentário: será?

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: