Colégio Souza Aguiar festeja centenário de qualidade e disciplina

23 03 2008

(Transcrito de “O DIA”)

Maria Luisa Barros

Rio – Quem passa pela Rua dos Inválidos, na Lapa, não imagina quanta história está guardada por trás dos portões do número 121. Nem que por eles cruzavam figuras ilustres como Leila Diniz, o músico Wilson das Neves, Silvio Santos, Tim Maia e José Wilker. Eles eram alunos do tradicional Colégio Estadual Souza Aguiar (Cesa), que sábado estará comemorando um século de existência.

Com uma metodologia de ensino exigente e regras rigorosas, o Cesa é uma exceção na rede estadual. Este ano, 1.300 estudantes disputaram 220 vagas para o Ensino Médio. Quem garantiu a matrícula precisa se adaptar a um regime rígido de disciplina. “Aqui o aluno não sai sem pedir licença ao professor. Para ir embora antes do horário, só se os pais autorizarem a saída”, diz o diretor-geral, Márcio Soledade.

O uniforme completo também faz parte da lista de exigências para os 1.200 alunos do colégio. “A gente não pode afrouxar o laço. As meninas, por exemplo, têm que manter a saia na altura do joelho”, diz a diretora-adjunta, Rosângela Nogueira. Quem respeita as regras recebe o mesmo tratamento. “Para nós, respeitar o aluno é não deixar faltar professor, é ter banheiro limpo e material de estudo”, diz Soledade. Para marcar o centenário, haverá eventos o ano inteiro. Entre eles, um ato ecumênico, sexta-feira, e desfile cívico pelo bairro, sábado.

Cursos de Dança, Teatro e até Grafite

O Latim já não faz mais parte das disciplinas obrigatórias no currículo. Os cursos de Marcenaria, Carpintaria e Funilaria oferecidos pelo Externato Souza Aguiar também não existem mais. Hoje, os alunos têm a chance de participar de cursos ‘alternativos’, como Dança, Capoeira, Cinema, Teatro, Grafite e Maracatu. A escola que atraiu artistas desenvolve o gosto pela arte, graças a convênio com a Fundição Progresso. A escola tem a 6ª melhor posição no ranking do Enem entre os colégios da rede estadual. Para o diretor Márcio Soledade, a força da tradição é o que faz a diferença.

Contestadora, Leila Diniz foi aluna ilustre

Filha de um bancário e de uma funcionária pública, Leila Roque Diniz entrou para o Colégio Souza Aguiar em 1960, quando tinha 12 anos. A musa, que quebrou tabus em plena ditadura e escandalizou ao exibir a sua gravidez de biquíni, fez todo o ginásio na escola da Lapa, que na época era municipal, e se formou no antigo Clássico, opção para quem não queria cursar o Científico. Antes de se tornar atriz e participar de 14 filmes, 12 telenovelas e inúmeras peças teatrais, a aluna formou-se em magistério e foi ser professora de Jardim de Infância numa escola do subúrbio.

Nos tempos da ditadura militar ((1964-1985) combatida por Leila Diniz os sons da tortura no antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Centro, chegavam ao Cesa. “Da escola dava para ver que havia uma ala para mulheres e outra para homens. De madrugada se ouviam os gritos dos presos submetidos a choques elétricos”, lembra Salomão Hess Simantob, 57 anos, funcionário mais antigo do colégio. O órgão de repressão chegou infiltrar agentes entre alunos e professores do Cesa.

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