Estudantes ganharão bolsa da prefeitura por bom desempenho

2 Maio, 2008

Conta poupança para levar prêmio

Pais de estudantes que ganharão bolsa da prefeitura por bom desempenho devem aguardar agendamento do Banco do Brasil

Maria Luisa Barros

Rio - Pais ou responsáveis dos 6.401 alunos das escolas municipais com direito ao bônus Mérito Escolar pelo desempenho acima da média terão que abrir conta poupança no Banco do Brasil. A instituição está elaborando um calendário de comparecimento às agências para a abertura das contas. Segundo a prefeitura do Rio as quantias serão creditadas para as famílias ainda no mês de maio.

Os estudantes que obtiveram conceito máximo MB (Muito Bom) em todas as disciplinas nos três últimos anos do Ensino Fundamental vão receber R$ 4.980 acumulados. Por ano, o valor é de R$ 1.660. Os demais que se formaram com média global MB ganharão R$ 830 por ano, no total de R$ 2.490 ao final do ciclo.

Os documentos são os mesmos exigidos para abertura de conta poupança: identidade e CPF dos adolescentes e dos responsáveis. As famílias vão receber correspondência da secretaria para ir até uma agência bancária do Banco do Brasil.

A Secretaria Municipal de Educação informa que não será necessário completar 18 anos para sacar o dinheiro. O estudante poderá retirar a quantia quando for do seu interesse. Apesar de liberado o saque, os alunos pensam no futuro. “Pretendo guardar para ajudar na compra dos livros quando eu estiver na faculdade”, diz Evelyne Soares Neves, 15 anos, que sonha cursar Arquitetura. A aluna concluiu o terceiro ciclo de formação (antiga oitava série) na Escola Municipal Minas Gerais, na Urca, com média global MB (Muito Bom) além de ter tirado o conceito máximo em todas disciplinas.

“Sempre prestei muita atenção às aulas. Dedicava uma hora por dia para revisar a matéria em casa e fazia resumo de tudo”, dá a dica.

Veja abaixo as listagens:

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QI DE BAIANO E COTAS RACIAIS

2 Maio, 2008
Coisas da Política: O mito racial e oQI dos baianos
 

Mauro Santayana

O mais primitivo dos instintos humanos é o do medo ao diferente. Deixando de lado a evidência científica de que a vida dos homens se iniciou na África, podemos imaginar como foram os primeiros contatos entre os negros e os brancos, surgidos depois da demorada diáspora. Do medo ao diferente, surgiu a astúcia do medroso em buscar, para si mesmo, qualidades superiores às do temido. Não se fundando na realidade genética – o racismo se exacerba em todas as suas manifestações. Não é a aparência que forma a habilidade intelectual e o comportamento ético dos homens. O que identifica os grandes e pequenos grupos humanos é a cultura, são os hábitos, os ritos aos quais se vinculam.

Espanta que um médico e educador, elevado à coordenação dos cursos de medicina da Universidade Federal da Bahia, dê à opinião pública a explicação de que a má avaliação do setor a seu cargo se deve ao baixo quociente de inteligência dos baianos. Embora não tenha associado diretamente esse desprezo à forte presença negra no Estado, ele a insinuou, quando fez a pobre ironia sobre o jogo do berimbau. A Bahia deu ao Brasil alguns de seus maiores intelectuais, a começar por Ruy Barbosa. O grande tribuno tinha seus defeitos, mas nunca lhe faltou a excepcional inteligência. Há centenas de exemplos para mostrar que os baianos têm o mesmo quociente intelectual de todos os outros povos, mas basta acrescentar o nome de Anísio Teixeira. O educador nos trouxe uma filosofia de ensino que – como a de seu sucessor, o pernambucano Paulo Freire – foi desprezada pelas elites, por causa da promessa de libertação que trazia. Anísio ensinava os alunos a pensarem com autonomia, e Freire a entenderem o meio em que viviam e a agirem pela liberdade coletiva. Anísio morreu durante a Ditadura e Freire amargou o exílio. Para as classes dirigentes, só os ricos têm direito a uma boa educação, que ensine a pensar, e pensar em como defender seus interesses de classe.

Professores universitários e representantes de grupos de mestiços enviaram carta ao presidente do STF, pedindo que o tribunal acate as ações que contestam as cotas universitárias para negros.

Entre outros argumentos há o do senhor Leão Alves, do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro: na Amazônia, onde a presença negra foi raríssima, os caboclos – descendentes de índios e brancos – se fazem passar por negros, com o objetivo de obter as vantagens da “discriminação afirmativa”, e entram em choque com os negros, de migração recente. O sistema de cotas, entre outros defeitos, estimula a mentira e o oportunismo e cria antagonismos entre os pobres. As cotas, repetimos, devem ser para todos os pobres, porque só a pobreza é empecilho para a educação de qualidade.

Temos que ter cuidado com a lógica da linguagem. Quando discriminamos alguns afirmativamente, estamos discriminando outros, de forma negativa. Corremos o risco de conceder às minorias os direitos que negamos à maioria. O jurista Yves Gandra Martins foi, para alguns, “politicamente incorreto”, ao dizer que os índios são cidadãos com mais direitos do que os brasileiros em geral. Sua razão lógica não pode ser contestada. Embora ele não tenha assim concluído, podemos dizer que a demarcação das grandes reservas só será admissível quando houver real reforma agrária no país e o acesso igual à terra de todos aqueles que a reivindicam.

A antropóloga Yvonne Maggie, da UFRJ, propõe, em lugar de cotas raciais, cotas de pobreza. Só o fato de ser negro não torna a pessoa incapaz de freqüentar boas escolas, alimentar-se bem, ter saúde e amparo familiar – que o prepare para vencer os exames vestibulares. Há famílias negras de classe média, com bons rendimentos, e nível cultural elevado, embora saibamos que o legado da escravidão ainda pesa sobre a comunidade.

O que impede os negros pobres de chegarem à universidade é a mesma coisa que impede os brancos pobres de fazerem o mesmo caminho: a pobreza. Para todos, brancos e negros, a discriminação afirmativa deve começar com boas escolas públicas, assegurando-se aos alunos o direito de alimentar-se bem e desfrutar do mesmo respeito dos mestres e administradores do ensino.