MAIORIA DOS NEGROS NÃO TERMINA O ENSINO MÉDIO SEQUER

1 05 2008

(Do Jornal “Correio do Brasil”)

Carta de movimentos sociais entregue no STF pede o fim das cotas raciais

Por Redação, com ABr – de Brasília

 

Representantes de movimentos sociais, artistas, sindicalistas, empresários e intelectuais assinam a carta Cento e Treze Cidadãos Anti-Racistas Contra as Leis Raciais, entregue nesta quarta-feira ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. A carta pede que as Ações Diretas de Inconstitucionalidade 3.300 e 3.197, contra as cotas raciais adotadas no Programa Universidade para Todos (ProUni) e no vestibular das universidades estaduais do Rio de Janeiro, respectivamente, sejam deferidas pelo Supremo.

— O principal argumento, que está expresso nessa carta que estamos entregando ao presidente do STF, é exatamente a crença de que raça não existe e que portanto esse é um critério que não deve estar presente na formulação de políticas públicas, porque vai dividir o Brasil artificialmente entre brancos e negros —, afirma Yvonne Maggie, professora titular de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A professora explica que o grupo propõe ações afirmativas junto às comunidades mais pobres, em lugar das políticas baseadas em cor.

— A nossa proposta, que está escrita nessa carta, é que se faça ações afirmativas, por exemplo, em bairros pobres, financiando escolas públicas de melhor qualidade justamente onde moram essas pessoas —, diz.
Leão Alves, presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro destaca que na Amazônia já são observados conflitos entre mestiços e caboclos contra negros. De acordo com ele, na região, a maior parte dos caboclos ou pardos não são de origem africana, mas têm sido levados a se classificar como negros.
— Esse sistema de cotas raciais está obrigando, na Amazônia, os caboclos a se identificarem como negros, ou seja, é uma forma de etnocídio, estão matando a identidade do mestiço da Amazônia, o principal tipo de mestiço, que é o caboclo —, afirma.

De acordo com dados trazidos na carta, estudos de marcadores de DNA permitem concluir que, em 2000, entre os 76,4 milhões de brasileiros que se declaravam pardos ou pretos 20% não eram descendentes de africanos. Francisco Johny Silva, coordenador do Fórum Afro da Amazônia (Forafro), defende que, em lugar de adotar medidas afirmativas no ensino superior, o governo invista em educação básica e de nível médio.
— Nós sabemos que a maioria dos negros não termina o ensino médio sequer —, diz.
Ele também afirma que a questão da política de cotas se tornou uma questão política.
— Ainda tem movimentos negros acorrentados a partidos políticos —, disse.
Segundo ele, os movimentos ligados a partidos são os que apóiam as cotas raciais e não respeitam os movimentos, como o Forafro, que são contra esse tipo de política.

 





Brasil ocupa a 76ª posição em ranking da educação básica

1 05 2008

(Do jornal “O DIA”)
País está numa posição intermediária entre 129 países analisados pela Unesco

Brasília – O Brasil ocupa a 76ª posição entre os 129 países avaliados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no que refere à situação da educação básica. Com o Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos (IDE) de 0,901, o Brasil se encontra entre os 53 países que estão numa posição intermediária quanto ao alcance de metas como universalização do ensino primário, alfabetização dos adultos, paridade entre os sexos e a qualidade da educação.

O documento destaca, no entanto, que são grandes as desigualdades entre pobres e ricos no acesso à educação infantil no Brasil. Os dados revelam que, em 2005, das crianças de até 3 anos de idade entre os 20% mais pobres, somente 8,6% estavam em creches. Já entre os 20% mais ricos, esse percentual era de 27,6%. Na faixa etária de 4 a 5 cinco anos, os percentuais eram de 52,2% e 85,7% respectivamente.

No indicador que trata do cuidado com a primeira infância, o relatório aponta que a taxa de mortalidade infantil vem registrando quedas significativas no Brasil, mas que a média nacional,  em 2005, era de 22,6 por mil nascidos vivos.

Na área da educação pré-escolar, o relatório diz que, em 2005, o atendimento a crianças de até 3 anos era o que ainda se apresentava mais incipiente no Brasil, com o acesso de apenas 13% dessa parcela da população ao ensino. O estudo mostra um pequeno aumento da taxa em relação à de 1999, que era de 9,2%.

Entre as crianças brasileiras de 4 a 6 anos, o documento também revela que houve crescimento no acesso ao ensino na comparação com 1999, quando a taxa de freqüência era de 60,2%, passando para 72,7% em 2005.